Reflexões de um recém-formado
Luiz Augusto Macêdo
Finalmente resolvi escrever um artigo como profissional formado em comunicação.
Após os eventos da formatura e mais alguns dias, a gente retoma
a consciência de que a vida continua e que parece ser mais dura do
que é. Mas que as experiências vividas nos últimos
anos dá-nos o ânimo necessário para seguirmos em frente.
A impressão que tenho nesses dois meses de formado é que
aprendi pouco. Não devido aos professores. Há gratidão
suficiente para os que incentivaram-nos a pensar. Aprendi a olhar o mundo
com outros olhos, principalmente em relação às imagens
e eis que o mundo que aprendi a observar passou por mudanças pouco
mencionadas durante o curso.
Um exemplo claro: conhecemos a internet em computadores disputados onde
o mais importante para alguns era receber mensagens ou olhar sites dos
mais variados assuntos. Mas qual foi a disciplina que possibilitou o ensino
para a criação de material (áudio, vídeo e
dados) a ser disponibilizado na rede? Muitos profissionais renomados têm
migrado para essa nova mídia que, sem dúvida nenhuma, criou
muitas oportunidades. O preparo para o mercado de trabalho é outra
falha. Justo no momento em que estamos começando a desenvolver a
nossa capacidade de crítica, somos "convidados" a competir por um
espaço medíocre denominado estágio. Não que
este seja desnecessário, mas a forma como ele é colocado
faz com que estudantes, já a partir do segundo ano, se digladiem
por um salário mínimo, alguns vales-transporte e a falsa
alegria de um emprego temporário de quatro meses renovável
por mais quatro. E ao chegar no último ano, muitos transformam-se
em "cérebros eletrônicos" e se esquecem de que um dia
prestaram vestibular para mudar o mundo (ou parte dele) a partir de suas
idéias.
O fato de ter aprendido pouco é conseqüência de ter
lido pouco. Algumas obras que hoje percebo que são clássicas
e fundamentais e foram citadas durante os dois primeiros anos em matérias
como sociologia, filosofia, teoria da comunicação e psicologia
(desculpem-me alguns dos professores dos dois últimos anos, mas
manuais para rádio e televisão são encontrados aos
montes!) foram simplesmente digeridas em medíocres apostilas e ruminadas
em seminários. Há vários fatores para justificar esses
absurdos como o tempo que levaríamos para ler um clássico
por inteiro e discuti-lo. Assim é mais fácil dividi-lo na
fórmula: capítulos por alunos e apresentá-lo em uma
agradável manhã em que alguns dormem, outros conversam sobre
sei-lá-o-que e o único interessado parece ser o professor.
Mas o mais absurdo vem agora: estou sentindo falta, porque apesar de
tantas falhas, a universidade foi um passaporte para que eu pudesse formular
idéias como essa. E se me faltaram bons clássicos durante
a vida acadêmica, alguns deles, mesmo em conversas de corredor, me
ajudarão na minha vida pessoal e profissional.
E agora, um recado: alunos facombianos (adorei este termo utilizado
por um colega na última edição), uni-vos! Nossa faculdade
e nosso país precisam de idéias, pois máquinas e manuais
de instrução já temos bastante. Aos amigos que ainda
estão aí, ou que já formaram e continuam lendo o INTEGRAÇÃO,
um grande abraço!
Luiz Augusto Macêdo é radialista
formado pela UFG.
Mande um e-mail para a direção
do jornal.
Primeira - Anterior
- Próxima - Última
Voltar para a página principal
© 1997 1998 1999 2000 Jornal Integração
Todos os direitos reservados
|