Nós, brasileiros, quem somos?


Leticia Arantes Jury

Nós, brasileiros, quem somos? Somos filhos Kayapó, Xavante, Kaiagang, Yanomami, Tapuia. "Somos bravos, somos fortes, somos filhos do Norte".

Somos herdeiros de Zumbi, um negro que se transformou em símbolo de luta contra a discriminação racial. Somos filhos dos Balaios, dos Cabanos, somos os filhos pródigos dos Portugueses.

Nós, brasileiros, quem somos? Somos filhos de Canudos, filhos dos Farrapos, filhos dos Mineiros, filhos dos Bandeirantes. Somos os filhos "ociosos" de Goiás, os seringueiros da Amazônia, os garimpeiros do Pará, os filhos canavieiros do Nordeste, os cafeicultores do Sudeste. Somos e nos orgulhamos, somos filhos dos Japoneses, dos Italianos, Sírio-Libaneses, somos os filhos bastardos dos Portugueses.

Quem somos nós, os brasileiros ? Somos os oprimidos com o voto de cabresto, somos os subjugados pelo poder do coronel, somos os proletários de Getúlio Vargas, os industrializados de J.K., somos a "minha gente" de Fernando Collor e "os caipiras" de Fernando Henrique Cardoso.

Mas quem é que somos mesmo ? Somos a 8ª economia do mundo, somos os líderes do Mercosul, somos os recordes em má distribuição de renda, somos a "pátria de chuteiras", somos os manipulados, os exilados e torturados.

Somos a abertura política, somos os neoliberais, somos os cara-pintadas, somos os comunistas perseguidos, somos os negros racistas, somos os Portugueses Xenófobos, somos os índios massacrados, somos os sem-terra, somos os cem mil da passeata, somos o grito dos excluídos.

Somos muita coisa, temos muita história. História de luta, sangue, morte e vida. História de líderes que perderam sua vida em prol de causas nobres e de outros lideres não tão nobres que abusaram descaradamente do poder.

Somos um povo, uma nação e temos que, com muito esclarecimento e resgate na história, trazer a toda nação a realidade dos passados 500 anos do nosso país, a fim de que os erros cometidos anteriormente não perdurem para os próximos quinhentos. Mas, infelizmente, o que estamos vendo são festas ufânicas e que na maioria da vezes acabam exaltando o nada... Continuam privilegiando os românticos ao realismo dos "Modernos"... Como escreveu Décio Pignatari, "Podbre Brasil "
 
Leticia Arantes Jury é estudante do 1º ano de jornalismo da UFG.

Mande um e-mail para a direção do jornal.

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