A fabulosa criação de heróis
Fagner Ribeiro Pinho
Um meteoro de proporções iguais cairá dentro de
um mês na Terra. Um grupo de pessoas são mandadas ao espaço
para destruírem o gigantesco pedaço de pedra. A missão
fracassa parcialmente, então uma dessas pessoas é designada
a ficar e explodir o asteróide manualmente. E consegue! É
aclamado herói e lembrado como o homem mais corajoso de todo o mundo.
Seria o maior de todos os heróis se esta história não
se passasse em um filme.
É incrível a criação de heróis imposta
pela mídia, tanto a brasileira como a mundial. Heróis são
criados com tanta facilidade como são destruídos por ela.
Um exemplo disso, talvez o maior deles, foi o “nosso” ex-presidente Fernando
Collor de Melo. Ao ser eleito com o slogan ‘Collor, o caçador de
marajás’, tornou-se o mais novo entre tantos heróis nacionais,
afinal foi a primeira eleição direta após 64. Mas
o mundo dá voltas. Logo esta imagem vitoriosa pós contagem
de votos, contrastou-se com a imagem do Collor “corrupto” e amedrontado,
que pôde ser vista dois anos depois, com a sua renúncia. Sua
imagem agora, era altamente bombardeada por essa mídia que o havia
eleito dois anos antes, e que nem preciso citar qual é, mas que
controla o Brasil.
Há cinqüenta anos, ao se perguntar a uma criança
quem era seu maior herói, ela estufaria o peito e provavelmente
diria: meu pai! Mas hoje em dia, ao se fazer a mesma pergunta a uma criança
de mesma idade, ela provavelmente dirá: “são os Power Rangers”,
ou então, “é o Pikachu” (É assim que se escreve?).
Ou seja, o pai, de herói passou para vilão, por não
comprar aquele videogame de última geração para o
filhão ou por não comprar aquela boneca que apareceu no anúncio
de ontem à noite na TV, para a filhota. Ora, para a criança,
a imagem do herói hoje é daquele mais alto, mais forte, mais
valente , mais corajoso e, convenhamos, os pais atualmente estão
longe de terem estas qualidades!
Com tudo isso, nos esquecemos de que os verdadeiros heróis, são
aqueles que ajudam um amigo ou mesmo um desconhecido, sem esperar algo
em troca (Pensando assim, passemos longe do Plenário!). Betinho
era um exemplo louvável de um grande ídolo que, infelizmente,
foi vencido pela AIDS. Uma pessoa como ele, que se preocupava com a miséria
e a fome que passam uma grande parte de nossos irmãos brasileiros,
e que se cansava de taxar criminosas as diferenças étnicas,
raciais e sociais, deve, sim, ser considerado um verdadeiro herói.
Fagner Ribeiro Pinho é estudante do 1º
ano de radialismo da UFG.
Mande um e-mail para a direção
do jornal.
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