O que fazer com a lei dos genéricos
Delfino Curado Adorno
- Anunciada há aproximadamente três meses, a lei dos medicamentos genéricos tem provocado muita dor de cabeça, devido às informações "desencontradas" da mídia. Os laboratórios de genéricos falam uma coisa e os grandes laboratórios brasileiros que, unidos sob o nome de Abifarma - Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas - dizem outra.
- A lei, criada com o intuito de facilitar a vida do consumidor, oferecendo-lhe um maior leque de opções, uma vez que os médicos passariam a ser obrigados a receitar medicamentos pelo nome genérico, teve efeito contrário, desencadeando uma "guerra declarada" entre laboratórios, onde quem reina são a desinformação e a incerteza. Os laboratórios genéricos anunciam que seu produto tem o mesmo efeito que os originais e por outro lado é muito mais barato porque não tem a marca das tradicionais indústrias farmacêuticas - segundo eles, um dos principais motivadores do "encarecimento"dos remédios.
- A Abifarma, por sua vez, e com um poderio econômico bem maior, tem colocado informes publicitários em programas de enorme audiência, tanto do rádio quanto da TV, nas revistas de âmbito geral, como de resto em toda a grande mídia do país, dizendo que não existem medicamentos genéricos à venda no brasil, pois pra isso precisariam ser submetidos aos testes de bioequivalência e biodisponibilidade, a fim de que fosse comprovada a sua eficácia. Afirmam, ainda, que os que estão sendo comercializados no mercado são apenas similares, e que jamais poderão substituir os originais. Claro que para a Abifarma não é nem um pouco interessante que produtos muito mais baratos que os seus ganhem a preferência popular. Então não resta outra alternativasenão alegar que os laboratórios genéricos têm se utilizado de má fé, anunciando produtos que legalmente ainda não existem no mercado.
- Vale ressaltar que esses laboratórios não têm o direito de resposta e nem a mídia que a Abifarma possui. Há indícios, inclusive, de que distribuidoras estariam sendo obrigadas, por pressão dos grandes laborátorios, a deixar de comercializar produtos das indústrias de genéricos - das quais duas das maiores estão em Goiás, a Neo Química e a Teuto brasileiro. Nessa briga toda, quem sai perdendo é, sem dúvida, a população, que, sem ter como saber realmente a quantas anda a situação, corre sério risco de ser manipulada pelos meios convencionais de comunicação.
Delfino Curado Adorno é estudante do 1o. ano de radialismo da UFG.
- Mande um e-mail para Delfino Curado Adorno ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|