Paola, pensar demais não é um...
Júlio César de Paula
- 23h40. Feriado de 12 de outubro. Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Com uma insônia nada animadora, pego a edição de dois anos do Jornal INTEGRAÇÃO, na companhia de um lento tic-tac do despertador e de um som ligado numa rádio FM da capital. Começo a ler artigo por artigo e dentre os 28 que se encontram na publicação, o que mais me chama a atenção é o texto intitulado "O mal de pensar demais", de Paola Franco. Não pela quantidade de linhas (gosto de textos extensos, dependendo do assunto), nem pelo nome da autora. Muito menos pelo título ou talvez o título. Não sei. Cabe à minha consciência julgar isso. A razão principal que fez com que eu relesse várias vezes o artigo foi a riqueza do assunto e o teor de informações que ali estava.
- A articulista se desnudou completamente de seu íntimo e do estado de mutismo na escrita que assolava e deu um grito no escuro. Como diz a minha gloriosa mãe: "tudo tem a primeira vez". Foi o que Paola fez. Achava incapaz produzir algo interessante que viesse de seu pensamento e que alguém pudesse ler. Mas o que ela escreveu foi de grande valia para ela, pena que Paola ainda não viu ou descobriu isso. O detalhe é que sem saber e tomar conhecimento de causa, o texto dela rendeu comentários variados dentro da universidade.
- No momento, eu paro de falar dela e vou falar com ela e com todas as pessoas que são loucas, desesperadas e que chegam a pirar para verem os seus textos publicados no INTEGRAÇÃO e têm algum receio de escrever, tudo bem, Paola? Digo mais, você disse (minha cara e futura jornalista) que quem pensa demais sofre muito. Engano seu! Quem pensa muito, e não age, é que sofre muito. Mas depois de ter escrito este texto (ação), você deu um passo gigantesco a caminho de sua prática literária. Tenho certeza de que não se arrependeu ou sentiu mágoas pelo que expressou, pois o importante foi o sentido estético próprio e a carga melodramática desenvolvida por você no seu artigo.
- Não esqueço nunca o que um professor há anos me disse: os fracos são os que não iniciaram algo. Os moderados são os que começaram e ficaram pelo meio do caminho. Já os fortes, chegaram até o final e venceram. O primeiro passo já foi dado, a grande iniciativa, o primeiro momento vivido em cada área de nossa existência que a gente nunca esquece, o que tem a fazer é prosseguir adiante, principalmente porque, querendo ou não, você se enquadra num grupo seleto de pessoas que têm a chance ou a oportunidade que nenhum veículo de comunicação permite (a não ser como articulista de jornal, contista ou na seção de cartas), de deslanchar seu raciocínio numa folha de papel a fim de que se torne público sem dispêndio algum. Não ache vil qualquer declaração dada por você e valorize o máximo o que possa ter de melhor, porque lhe é peculiar e ninguém há de tirar. Detalhe: é só seu e de mais ninguém. Seu pensamento estava oculto e agora, à luz do mundo, já é observado por muitos. Lembre-se de que pensar demais não é uma ação errônea e não dói. O mal é não saber usar o pensamento.
- Agora desligo o rádio, o despertador ainda continua com o tic-tac e o que vai trabalhar neste instante para mim é o ventilador. Bom, o sono chegou. Fui!!!
Júlio César de Paula é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
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