Pacto de mediocridade

Marco Aurélio Vigário

Caros amigos estudantes,

O maior lugar-comum de que tenho notícia nos últimos anos é a crítica que se faz à nossa faculdade. Cada um de nós é capaz de responder imediatamente - como que por instinto - a qualquer pergunta sobre os problemas da Facomb (Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG). Por outro lado, quando a tarefa é enumerar alguns pontos positivos, infelizmente, não somos tão rápidos.

Quem de nós, amigos, não sabe do "pacto de mediocridade" firmado tacitamente entre muitos alunos e muitos professores desta instituição? Quem nunca ouviu a frase: "Os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem"? Todos nós sabemos. Todos nós já ouvimos. E não foram poucas vezes, certamente.

O que quero fazer aqui é apenas lembrá-los de que pacto é um "acordo" entre duas partes. Isto quer dizer exatamente que, se a qualidade do nosso curso não é aquela que sonhamos, quando fizemos o exame vestibular, a culpa é tão nossa quanto deles (dos professores, dos técnicos e da administração). Digo isso porque percebo a falta de consciência de muita gente que atribui aos outros uma culpa que também é sua. Não vou ficar aqui levantando os defeitos de um e de outro docente porque é exatamente (só) isto o que tem sido feito ao longo dos anos - e nada tem adiantado. Dizer que os professores são ruins, que o curso não prepara para o mercado de trabalho, que a faculdade é uma droga, só tem servido como desculpa para nos eximir da obrigação de tentar melhorar alguma coisa.

No fundo, fico me perguntando se realmente queremos um curso melhor. Afinal, se realmente queremos, por que tanto comodismo? Parece que queremos mudar, mas queremos que os outros façam a mudança por nós, primeiro.

No curso de Jornalismo, por exemplo, todos parecem querer a volta do estágio. Porém, quando finalmente se propôs a formação de uma comissão para planejar a coisa, quem, de nós, se dispôs a participar? No dia-a-dia, a incoerência é explícita. Reclama-se, muitas vezes, da quantidade e da qualidade das atividades que nos são passadas, e argumenta-se que, a continuar assim, ninguém sairá da instituição como um profissional bem formado (seja lá o que isso for). No entanto, os poucos trabalhos pedidos são feitos com desdém e entregues fora do prazo estabelecido, por grande parte dos alunos.

Devo aqui ressaltar que, é claro, existem exceções. Gente que critica, mas que também participa e tenta fazer a sua parte. Não preciso, aqui, citar nomes. Cada um de nós sabe a que grupo pertence.

O que estou propondo, aqui, não é que saiamos de Goiânia, amanhã, para marchar sobre Brasília, invadir o escritório do MEC, e nem nada desse tipo. Por enquanto, proponho uma transformação no nosso dia-a-dia, na nossa rotina, porque, sinceramente, está faltando compromisso. Talvez o dia dessa virada esteja chegando... Acima de tudo, concordo com Marilena Chauí. Em uma universidade, são os estudantes que provocam as mudanças. Os professores vão a reboque.

Marco Aurélio Vigário é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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