Criando uma nova discussão

Guillermo A. B. Rivera

Mas será o Benedito?? Eu escrevi uma vez um texto, tentando salvar a auto-estima da sempre pisada categoria dos cronistas esportivos (na qual pretendo me incluir logo após pegar o diploma!). Pois bem, escrevi o texto, tudo bonitinho, dormi com a consciência tranqüila mas, mesmo bastante elogiado, decidi não prosseguir nesta linha de ataques pessoais que o INTEGRAÇÃO já vinha tomando àquela época, e que hoje, mais do que nunca, se mostra potente. Não era tanto este o mérito da questão, pra falar a verdade, mas o que me impedia de seguir nessa linha era o fato de achar que defender esta categoria nestas páginas e corredores intelectualóides é dar murro em ponta de faca.

No entanto, o texto de Luís Cláudio Guedes de setembro pede por uma resposta. Não estou enfurecido, dando pulos, tendo ataques. Mas me sinto até certo ponto atingido e ofendido pelo malicioso artigo e seu autor. Mesmo sabendo que, contendo pérolas como "será que a soma dos neurônios de uma loira e de um repórter esportivo somam juntos o primeiro número inteiro?", o texto, e talvez seu autor, não podem ser levados à sério.

Sim, Luís Cláudio, existem cronistas esportivos com um mínimo de discernimento no rádio, para não dizer na imprensa. Chego ao extremo de mencionar excelentes escritores que também são, "por coincidência", cronistas esportivos, como por exemplo José Torero e David Coimbra. Podem não ser seus escritores favoritos, mas merecem um mínimo de respeito (pensando bem, acredito que você, jornalista bem informado como é, ainda assim ignora a existência deles. Fazer o quê?).

Você achou tão grande sacrifício ficar no sol do autódromo para tirar fotos, pense que eu já fiz isso algumas vezes em um sábado de manhã, e que outros repórteres passam por isso infinitas vezes mais que eu. Pense o que é ser esnobado por dirigentes de clubes pequenos, que não valem nada (os dirigentes e os clubes), e voltar para a rádio ou redação de mãos vazias. Pense em andar sexta à tarde no sol de Goiânia procurando falar com presidentes de Federações que provavelmente estarão fechadas. É, colega, nem só de entrevistas no intervalo vive a crônica esportiva.

Aliás, não nego que a crônica esportiva esteja fraca no Estado como regra geral. Porém, lembre-se de que isto é sintomático no jornalismo brasileiro. Como observou muito bem José Trajano em uma edição de "Caros Amigos" (sim, cronistas esportivos lêem e comentam este tipo de revista!!), muitos jornalistas da área de economia e política fazem "cagadas" ¾ palavras dele ¾ mas o público na maioria das vezes não percebe, pois não entende nada do que eles estão dizendo mesmo. Já o esporte é mais acessível, e as nossas mancadas são bem mais perceptíveis. Quer dizer, ainda por cima somos mais cobrados!

"Comecei mal a minha trajetória (que espero seja breve) de repórter esportivo". Eu também espero que seja breve, Luís. Também espero que você não tenha um dia que, por necessidade, "se contentar" com o emprego de repórter esportivo em um jornal, pois eu com certeza vou ter vergonha de ser colega de um profissional desmotivado e, para esta área, completamente despreparado como você.

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

Mande um e-mail para Guillermo A. B. Rivera ou para a direção do jornal.

Primeira - Anterior - Próxima - Última

© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
1