Por um mundo mais igual, mas igualzinho mesmo!

Fabrício Magalhães Gonçalves

Os publicitários têm enfrentado atualmente um grande problema: a segmentação do público. Se antes a profissão exigia grande dedicação do profissional, com essa segmentação a coisa ficou ainda pior.

Antes, um anúncio circulava pelas revistas, pelos jornais e talvez virava até outdoor. Agora, o atendimento não nos entrega um briefing e, sim, verdadeiras listas de veículos que estes se tornaram. Doravante os briefings se tornam importantes fontes de pesquisa para os anuários de veículos.

O mais interessante é que a gente nem imagina a quantidade de veículos existentes e a vontade é de perguntar pra que tudo isso?

Imaginem seu cliente, dono de uma conceituada grife de roupas e confecção, querendo atingir um novo público com seu mais novo produto - a roupinha para Iguana. Então lá vai a equipe da agência reservar mídia, produzir, criar e etc. e etc. para anunciarmos na Iguana Magazine. Já o mais ousado, desenvolve o porteiro eletrônico com som de latido para espantar ladrões - o Porteiro au-au. A estratégia é criar uma necessidade nas pessoas pelo seu produto e transformá-lo em objeto não supérfluo para todos os gostos e idades, com versões de latidos que vão desde de Chiuaua e Poodle até de Doberman, Pastor Alemão e Pit Bull. Lá vai a nossa equipe produzir a campanha, essa sim, uma grande campanha. Então serão: anúncios para jornais e revistas, comerciais para TVs abertas e fechadas, home-page do porteiro au-au, outdoors, broadside para revendedores... chega!!!

Precisa-se voltar à antiga, ou empreendedores da comunicação, parem de criar veículo especializados e segmentados. Jovens, parem de querer ser diferentes, sei- lá, alguém tem que querer ser igual. Cadê a boa e velha comunicação de massa?

A Globo, o SBT, a Band, a Manchete, nós estamos acabando com a Manchete, essas, sim, são as TVs com a cara do Brasil. Veja, Isto é, tudo bem. Época também, mas só. Pra que mais do que isso, Civita?

Publicitários, vamos nos unir! Em defesa do nosso sono, em defesa dos domingos e feriados, em defesa do nosso relacionamento familiar, em defesa do igual, do padrão.

Para isso precisamos adotar algumas idéias ou até mesmo fazer uma campanha pela padronização das coisas. Abaixo as "tribos undergrounds", a geração MTV, as "mulheres margarina" e todas as outras "tribos". Chega de público segmentado.

Público é só um e basta!. Eis aqui algumas idéias básicas para iniciarmos o nosso movimento:

Coisas que deveriam ser padronizadas, ou chega de público segmentado - eu quero mais é descansar.

01 - A cor da tinta para se preencher um cheque.
02 - O números de beijos, no rosto, que se deve dar ao cumprimentar ou conhecer alguém.
03 - O peso de uma refeição para duas pessoas.
04 - O volume de uma chávena ou colher de chá.
05 - A quantidade de bananas contidas em uma penca.
06 - O nome da Mandioca, Macaxera ou Aipim.
07 - O tamanho ideal de cachorro para se vigiar um casa de 200 m2.
08 - O número de jabuticabas ou pequis contidos em 1 litro.
09 - A cor do quadro-negro.
10 - Magazine deve ser revista, ou loja de roupa, ou som de carro.
11 - O tamanho da cama de casal e de solteiro.
12 - A cor do batom das mulheres solteiras.
13 - O lado em que o papel higiênico deve ficar pra rodar melhor.
14 - A altura da pia da cozinha.
15 - As camadas que devem conter um bolo de aniversário.
16 - O número de cerdas para uma escova de dentes ser grande, média ou pequena.
17 - O número de janelas de uma casa de 3 quartos.
18 - O volume de água gasto com uma descarga no vaso sanitário.
19 - Os horários mais baratos pra se tomar banho quente.
20 - O preço do carro dentro e fora da concessionária.
21 - A distribuição de renda.
22 - O tamanho do bigode dos gerentes de lojas.
23 - O número de músicas que deve conter um CD.
24 - O tamanho do apartamento de 4 suítes.
25 - O coelho da páscoa deve botar ovo também em outras épocas.
26 - O número de vezes que se deve "ficar" para se constituir um "rolo" ou um namoro.
27 - A preferência sexual do Telletubie roxo.
28 - A história do ovo ou a galinha.
29 - O dia em que começa o futuro.
30 - O presente que deveríamos ganhar de aniversário.
31 - O dia da morte da bezerra.
32- O lugar de se sentar à mesa.
33- O lugar do til nos teclados de computador.
34- O dia das mulheres ficarem de mau humor.
35- O número de formigas que cabem num formigueiro.
36- A quantidade de pessoas que cabem na Terra.
37- O horário do Programa Livre.
38- O corte de cabelo do Walter Mercado.
39- O tamanho dos buracos de fechaduras.
40- A qualidade de vida da população.
41- O tamanho das bolas de gude.

Fabrício Magalhães Gonçalves é estudante do 2o. ano de publicidade da UFG.

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