Socialismo, milagre oculto apenas para os que não o conhecem
Sidartha Sória e Silva
- Muito me espanta o fato de ler tantas linhas fundamentadas no senso comum, quando o escritor é estudante de filosofia. Acaso não disseram ao estudante Luiz Roberto Cupertino que "o amor ao saber" não é apenas um nome que identifica o bloco onde ele freqüenta o seu curso?
- Do contrário, ele saberia que suas opiniões sobre o socialismo não correspondem ao socialismo, e sim às deformações feitas à teoria marxista pela prática totalitária levada a cabo por forças políticas que compunham partes das correntes revolucionárias que buscaram implementar uma experiência socialista no Leste europeu.
- Se Cupertino realmente amasse o saber, saberia que a teoria marxista é avessa ao nacionalismo cultivado por Stálin e outros ditadores que exploraram e mataram povos em nome de um socialismo que não compreendiam. Saberia que a teoria marxista jamais aceitaria um processo revolucionário que não se espalhasse ignorando fronteiras nacionais, ao contrário do "socialismo em um só país" de Stálin. Saberia que Marx, ao contrário do que defendiam stalinistas, bem como outros "socialistas" que reduziram o pensamento marxista a uma cartilha pela qual rezam e fundamentam seus dogmas, de ontem e de hoje, jamais defendeu estatizações de qualquer tipo, e o prolongamento da existência do Estado, mesmo se ele fosse governado por trabalhadores (tanto é que cunhou o termo "ditadura do proletariado", segundo alguns que buscam amar o saber, como um alerta aos próprios trabalhadores, para que tratassem de destruir o Estado o mais rapidamente possível, ao invés do que aconteceu na URSS, justamente um fortalecimento da estrutura do Estado, no que Robert Kurz chamou de "sociedades que cultivaram um CAPITALISMO DE ESTADO", uma sociedade que nunca conseguiu abandonar a essência capitalista, no que apenas fez a propriedade privada trocar de mãos: do capitalista para o Estado burocrático gerontocrático).
- É melhor o estudante Cupertino tratar de começar a amar o saber. Porque senão também vai achar que a ética cristã deve ser odiada pelo que os inquisidores da Idade Média fizeram em seu nome, ou mesmo insistir nestes erros grosseiros acerca do tão rico e vasto pensamento marxista e socialista. Alguém que acha que tal pensamento cabe nos dogmas cultivados por stalinistas que ainda habitam os escritórios do PC do B no mínimo é tão limitado intelectualmente quanto estes falsos defensores da verdadeira práxis marxista.
Sidartha Sória e Silva é estudante do 2o. ano de direito da Universidade Federal de Uberlândia.
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