O peso da estrutura

Guillermo A. B. Rivera

Ao ser perguntado, em uma de suas primeiras convocações, se pesava muito jogar com a camisa da Seleção, o craque Tostão respondeu: "Botei a camisa da Seleção e a do Cruzeiro na balança. As duas pesavam o mesmo". Mais do que demonstrar o sangue-frio do antigo craque cruzeirense, esta afirmativa indica que ele enxergava longe, e via na época algo que muitas pessoas não conseguem ver ainda hoje: a diminuição da importância da tradição no futebol ou, em outras palavras, o pequeno valor que vem ganhando o "peso da camisa".

Muitos clubes andaram pregando peças em seus torcedores. Clubes tradicionais, como Fluminense, Bahia e Botafogo, estão disputando ou logo irão disputar divisões inferiores do futebol brasileiro, enquanto que clubes médios ¾ como o Botafogo de Ribeirão Preto e o São Caetano ¾ têm evoluído assustadoramente. O segredo? Investimento. No caso das três primeiras equipes, o erro que conduziu as mesmas para o buraco, principalmente o Fluminense, foi o fato de confiar excessivamente no peso da camisa. O clube é dirigido de modo amadorístico, com dirigentes antiquados, e esperava vencer os clubes pequenos da Série A com o "prestígio tricolor". Moral da história: Série C. O Bahia tentou a mesma coisa e quase desceu junto. Porém, o tricolor baiano agiu de forma humilde, fez parcerias com bancos e agora volta a ser a forte equipe que todos conhecemos.

Já o São Caetano, fundado em 1989 e, portanto, sem "tradição", já é forte candidato a figurar na elite do futebol paulista, para não dizer brasileiro, no qual, até o momento, lidera a Série B. Uma boa administração em termos financeiros faz maravilhas a um clube médio. Para não ir muito longe, basta citar o Paraná Clube que, com menos de dez anos de vida, já é a terceira força do futebol paranaense.

Os clubes tradicionais não precisam, contudo, achar que o "peso da camisa" passou de uma vantagem para um fardo. Basta explorar os direitos de sua imagem. Já imaginou o quanto venderia um clube como o Corinthians se licenciasse produtos com a sua marca?? É só saber fazer bom uso deste "peso".

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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