Deixem o impresso viver
Nazareth L. de Paula
- O mundo tem evoluído assustadoramente nos últimos tempos, e o jornalismo, é claro, não poderia deixar de acompanhar essas mudanças. Temos atualmente mais uma opção de trabalho, ainda tímida mas que tende a crescer muito: o jornalismo on-line. Trata-se de uma nova forma de produzir e distribuir as matérias seguindo a mesma estrutura do impresso, porém de maneira mais ampla. A diferença básica é que o texto, em vez de ser divulgado em papel, passa a ser veiculado nas telas de computador, via Internet. O universo de leitores desta nova modalidade não se restringe a uma cidade, Estado ou país, mas abrange todas as esferas do planeta.
- Várias são as vantagens do jornalismo eletrônico: ele não tem as limitações de espaço presentes no meio impresso, as notícias podem ser atualizadas a todo instante e as edições anteriores ficam disponíveis na página do jornal. Além disso, é possível utilizar recursos de áudio e vídeo para ilustrar as informações, tornando-as mais ricas e abrangentes.
- No entanto, é preciso ressaltar que várias também são as desvantagens do jornalismo eletrônico. Entre elas, há a demora em acessar certos endereços, devido aos congestionamentos na rede; o limitado espaço das telas , o que permite consultar apenas uma matéria de cada vez; o desconforto da leitura em frente ao computador e a impossibilidade de transportar o jornal para outros locais de forma simples como o impresso. Outro fator negativo pode ser também, e isso só o tempo dirá, a ausência de vínculos com o órgão consultado, o que poderá eliminar de vez a expressão "público fiel'' do jornalismo escrito.
- Alguns especialistas em jornal on-line, como Roger F. Filder, afirmam que em poucos anos o meio impresso será totalmente substituído pelo eletrônico. Já outros, como Leo Bogart, acreditam que isto não irá acontecer e que é até possível que ambos venham a se corresponder um com o outro de forma amigável.
- Quanto a mim, estudante de Jornalismo, encaro esta invasão de novas tecnologias na imprensa com bastante preocupação e, devo confessar, com muito medo. Sei que a mídia eletrônica é uma fatia a mais no nosso limitado mercado de trabalho e, com certeza, não rejeitaria atuar neste campo. Mas, devo dizer que não vejo toda esta evolução com bons olhos, porque além de possibilitar maior conforto ao homem moderno também acaba excluindo aqueles que não conseguiram acompanhar as mudanças do tempo.
- A hipótese da morte do jornal impresso me aterroriza. Parece um profundo rompimento e desprezo pelo passado. Não me agrada enxergar o mundo a partir de uma tela de computador. Não me agrada imaginá-lo sem a figura do jornaleiro e das discussões sobre as polêmicas do dia em frente à banca de revistas. Enfim, não me agrada ver o homem estático em frente a uma máquina de última geração. Prefiro vê-lo nas ruas, caminhando e conversando por meio da voz, gestos e olhares.
- Espero que Roger F. Filder esteja equivocado e que o mundo não mate o jornal impresso. Muitos já decretaram o fim da literatura, mas felizmente isto ainda não aconteceu. Tomara que o mesmo se dê com o nosso velho impresso. Talvez as previsões pessimistas em torno dele sejam apenas o engano ou o desejo de quem as formulou. Prefiro pensar assim e enxergar no futuro uma interação entre as duas modalidades jornalísticas.
Nazareth L. de Paula é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
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