Nossa filosofia de umbigo

Carlos Eduardo Reche

Será que podemos nos esquecer de nosso próprio umbigo e parar para observar, nem que seja apenas por alguns minutos, tudo o que está acontecendo a nossa volta?

Nosso país passou por uma grave crise econômica no início do ano, que desvalorizou nossa moeda e quase pôs em cheque o plano de estabilização do governo, que, apesar de problemático, tem seus méritos. Agora, o pior já passou. No entanto, a imprensa está noticiando todos os dias as devassas que as diversas CPIs criadas estão fazendo nos órgãos públicos: a CPI dos bancos está denunciando aqueles que ganharam milhões de dólares enquanto o Brasil afundava; a da Justiça do Trabalho abriu as contas de um ex-juiz e descobriu 30 milhões de dólares que provavelmente foram desviados de uma obra faraônica do TRT paulista. Brasil afora, os hospitais do governo continuam sucateados e escolhendo quem vai viver e quem vai morrer, a educação pública e gratuita se deteriorando e a Universidade, o "amplo espaço livre das idéias" sujeita aos caprichos de um Ministério.

A agenda está lotada, "cidadãos". E o que estamos fazendo para honrar nossos compromissos? Nada. Os estudantes das nossas Universidades estão realmente discutindo esses problemas? Muitos levantam a bandeira pelo fim dos preconceitos, mas só pensam em si mesmos. Outros tantos falam em socialismo, mas são céticos. Criticam a má fé da Igreja, mas não crêem em nada e em ninguém, a não ser em si mesmos. Tem gente que precisa ver para crer, mas quando vê, assim mesmo não acredita. Talvez seja por isso que todos os dias somos bombardeados por informações que falam de corrupção, violência, descaso das autoridades para com o povo, e assim mesmo não reagimos.

Não sabemos usar as armas e os espaços que temos. Estamos parados, fazendo filosofia de umbigo, fazendo crescer nosso narcisismo, tentando possuir a nós mesmos. Será que já paramos para pensar que os apáticos narcisos de hoje podem ser os pústulas, as chagas de mau caráter de amanhã? Estamos sendo atropelados; está passando da hora de fazermos alguma coisa... e amanhã pode ser tarde demais.

Carlos Eduardo Reche é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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