A filosofia é inútil

Luiz Roberto Cupertino

Deparo-me não raro com cenas cômicas que despertam-me o riso. A última: andava eu pelos corredores da UCG quando, sem querer querendo (a Frase é de Chaves, humorista mexicano, e não reclamem de citações), um rapaz conversava com uma garota e eram estes seus aforismos: "Amanhã eu só tenho aula de filosofia. Você acha que eu vou sair de casa só para assistir à aula de filosofia? Filosofia!?!" Toquei o canto dos olhos com a ponta dos dedos esperando uma lágrima, mas achei melhor me conter e sorrir. Sorrir pra não chorar.

A filosofia é inútil. Mas talvez não fosse necessário falar isso alto pelos corredores, já que não é bom ofender as pessoas, por princípios morais talvez. Afinal, qual é a utilidade da Geografia? Ou da Sociologia? Ou da Matemática? Ou do Português? Ou da História? Ou da Arte? Falemos baixo, sejamos sinceros. A filosofia pode ser útil. É útil por ser inútil. Ou é inútil por ser inútil mesmo. Não é necessário compreender essa confusão. Em filosofia, como nas disciplinas acima, podemos encontrar mil utilidades e mil inutilidades. Assim tem razão quem defende a utilidade como quem defende a inutilidade. Eu, particularmente, não tomo partido em nenhum dos lados. Não por me considerar inapto, mas por achar que não se trata de um problema. Em filosofia analítica chama-se um pseudo-problema.

Não é necessário mostrar a utilidade da filosofia. Não vou pular como uma criancinha gritando "A filosofia é útil, a filosofia é útil!". Não me vejo nesta situação. Que todos pensem o que quiser. Não me interesso absolutamente pelo resultado. Talvez seria melhor que todos achassem a filosofia inútil. Assim seríamos poupados de ouvir ataques à filosofia em voz alta, pois já seria fato consumado sua inutilidade. Um dia, quem sabe, poderei andar tranquilo pelos corredores da universidade. Porque da boca daquele rapaz detrator da filosofia saía fogo, e seus olhos eram diabólicos, e sua pele queimava e cheirava a estrume, e seu semblante era frívolo. Confesso que tenho pesadelos com ele, lembro-me de seu malígno rosto, ele me atira computadores, capacetes de engenheiros, bisturis de médicos. E eu, pobre filósofo, não tenho nada para arremessar em sua decrépita cabeça. Filósofo que é filósofo não arremessa seus valiosos livros na cabeça de outrem. E isso é tudo o que possuímos.

Luiz Roberto Cupertino é estudante do 4o. período de filosofia da UCG.

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