Padre Marcelo Rossi: uma novidade sem nenhuma novidade
Melissa Cristina Rodrigues
- Ele foi destaque na mídia em todo o Brasil, que o considera um fenômeno de comunicação. Sua música invadiu os primeiros lugares das rádios FM. É carismático, bonito e reascendeu as atenções do país para a Igreja Católica, assim como a fé de muita gente. A Igreja nunca havia dado um tiro tão certeiro, nunca tinha conseguido uma arma tão boa para reconquistar suas ovelhas perdidas para os "pastores" das outras Igrejas. Sem dúvida, o padre Marcelo Rossi representa o ideal da juventude católica, além de ser superpopular, aliás, um padre "pop star", diga-se de passagem.
- Como de costume, no meu segundo parágrafo vem sempre o porém, como quem assopra e morde depois. O padre é realmente um fenômeno de comunicação, mas ao contrário do que se imagina para um jovem e carismático sacerdote, seu posicionamento é conservador e tradicionalista ao extremo. Como dizem os nossos amigos que escrevem para o INTEGRAÇÃO, o tradicionalismo é o primeiro passo rumo ao fascismo. Mas, o que é a Igreja, além da encarnação do fascismo em forma de religião?
- Bom, para começo de conversa, em relação às questões mais polêmicas da Igreja, o nosso padreco é uma múmia viva. Machista, acha que as mulheres não têm o direito de rezar missa. A própria Igreja não diz que os filhos são todos iguais perante o pai? Ah, é. Os filhos, as filhas não. Afinal, a bíblia diz que as mulheres têm de obedecer a seus maridos, serem fiéis e castas. Será que Deus seria tão mau assim em criar senhores e escravas? E tem mais, padres e freiras não podem nem pensar em sexo. Como se isso não fosse uma necessidade do ser humano. Santa hipocrisia. Será que Deus criou o sexo e junto com ele o prazer para que dele não possamos usufruir? Seria Deus tão mau assim? Assim como o criador nos deu inteligência e capacidade de raciocinar para que não questionemos. Bem que fez São Tomé em duvidar.
- Também não podemos nos esquecer de que a Igreja, a qual se diz acolhedora dos excluídos, exclui os homossexuais, não aceitando o homossexualismo. Quando muito aceito, um homossexual católico vai carregar uma tonelada e meia de culpa em suas costas com a inscrição "pecador" em letras vermelhas fluorescentes, pelo resto da sua vida. E vai ser apontado com desprezo pelas beatas e beatos toda vez que pensar em assumir sua existência. Sem contar com o fato de que ele tem de viver como um mártir para não queimar no inferno. A Igreja aceita todos os outros excluídos sem tantos problemas. Seriam os homossexuais excluídos dos excluídos? Oh, vamos acolher os coitadinhos dos meninos de rua, mas os entendidos, nem pensar! A grande maioria dos pecados tem um certo peso, mas os que envolvem sexo tem um peso muito maior. Não é de hoje que o sexo é um tema que incomoda a todos, e principalmente à Igreja, que diz que ele é somente feito para a reprodução. Tanto que ela é contra a grande maioria dos métodos contraceptivos, inclusive fazendo campanha contra o uso da camisinha, o que é, sem a menor sombra de dúvida, um absurdo. Agora, eis algumas perguntinhas: qual é o católico que pratica castidade? Qual é o católico que usa somente a tabelinha como método contraceptivo?
- Bom, concluindo o parágrafo anterior, a Igreja está totalmente fora do ar, e não é fabricando mais uma "onda do momento" que ela vai reconquistar seus fiéis. Não é com preconceitos, machismo, e hipocrisia que vamos amar ao próximo. A fé envolve tudo que há de mais profundo e transcendental em nossa alma, e não meramente o culto a um ídolo, que é nada mais nada menos que mais um manipulado pela mídia. Deixemos nossos deuses e semideuses na Grécia Antiga. E busquemos Deus dentro de nós mesmos sem deixar de lado a razão.
Melissa Cristina Rodrigues é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.
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