Fragmentos do Fluminense

Guillermo A. B. Rivera

A decadência do Fluminense vêm de longa data. Mais precisamente, desde a administração Francisco Horta, na década de 70. O folclórico presidente é mais lembrado pelo famoso "troca-troca" que ele havia instituído entre os clubes cariocas e pela polêmica contratação de Roberto Rivelino. No entanto, Horta, como quase todos os cartolas brasileiros, deixou uma grande bagunça na contabilidade do Flu. As administrações que se seguiram afundaram ainda mais a equipe. Mas, ao menos, elas ainda sabiam montar time. Após os vários timecos que o Fluminense apresentou na virada da década de 80, ele conseguiu um tricampeonato carioca em uma época na qual isto ainda era difícil (83/84/85) e um título do Campeonato Brasileiro, em 1984.

Depois, o que se seguiu foi um pesadelo após o sonho. Um campanha pífia na Libertadores, e sucessivas más administrações. Uma equipe dependente deste ou daquele jogador (primeiro Assis, depois Ricardo Gomes). Nenhum título estadual, nenhum investimento na equipe de futebol. A equipe parecia despencar rumo à Série B no início da década. A sorte do Flu e de seus dirigentes foi que surgiu, no começo da década, um dos maiores jogadores da história da equipe, o que a manteve na Primeirona: Ézio. Com seus quase 130 gols pela equipe, ele conseguiu segurar o time na elite do Brasil.

Em 95, veio alguém que deu a ilusão de que os bons tempos haviam voltado às Laranjeiras. Junto com Ézio, Renato Gaúcho deu à torcida algo que desde 85 ela não tinha: o título de campeão carioca e uma boa campanha no Brasileiro. Mas, no ano seguinte, as nefastas administrações anteriores surtiram efeito. Primeiro um desempenho pífio no Carioca. Depois, algo que parecia ser um atestado de morte. Ão, ão, ão. Segunda Divisão.

Em 97, duas desgraças empurrariam de vez o Fluminense para dentro da cova. A mistura explosiva da eleição de Álvaro Barcellos, um dos piores dirigentes que o Universo já viu, e da virada de mesa que manteve o Fluminense na Série A resultou em um título inédito na história do futebol mundial. O bi-rebaixamento.

Sem credibilidade nenhuma, alvo das chacotas do Brasil inteiro, afundado em mais de 60 milhões de reais em dívidas, só restou à equipe, este ano, disputar a Segundona. Parecia a chance da equipe carioca de reabilitar-se e limpar seu nome. Ledo engano... Aconteceu neste dia 06 de outubro a maior vergonha da história do futebol carioca. Ão, ão, ão. Terceira Divisão. Agora é esperar para ver se o Fluminense disputa ano que vem a Série C ou vira novamente a mesa e cria a Liga. De qualquer jeito, pior não tem como ficar...

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG e NÃO é Fluminense.

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