Contos Humanos (escrituras em papel higiênico)
Pablo Hernandez Alcântara
I
- Dionísio era uma esponja. Vivia no mundo das esponjas. Lá tinha todo o ar disponível pra se comer. Fome não passava. Quando criança dormiu bastante. Possuía muitos tipos de sabão e adorava andar nas bolhas. Certo espaço-tempo sentiu que não conseguia fazer sua sesta, estava inquieto. Coisa muito rara para as esponjas sentirem. Algo doía em sua cabeça. Parecia ter que pensar. Coisa muito rara para as esponjas sentirem. As esponjas não tomam decisões, vivem a vida e, se uma gota d'água tiver que cair em sua cabeça, cairá. Dionísio se sentia mal por desobedecer. Queria obedecer? Queria bolhas? Queria ar? Dionísio não largou mão de tudo. Buscou apego ao mero simples bonito jato de tinta azul da lula azul. Ficou perdido. Consigo. Às vezes sozinho. Mas consigo. Descobriu que o mundo é como a água úmida que evapora em suas fibras. Evapora. Dionísio continua molhado.
II
- A barata Mimi tinha medo dos pés. Os pés de Anselmo andavam neuróticos. Estavam em plena crise existencial. Sem saber pra onde ir e onde pisar. Além disso, se desentendiam a todo momento. Sua relação estava aos cacos. Anselmo tinha medo de Deus. Tamanho medo o fazia sambar na frente da barata Mimi. Anselmo sabia que aquele inseto asqueroso era uma criatura divina. Como poderia matá-la! Maldita casa cheia de baratas nojentas! Baratas gostam de viver no caos. Anselmo pegou tráfego para chegar ao trabalho. Andava neurótico. Estava em plena crise conjugal. Sua relação com Perséfome estava aos cacos. A barata Mimi continuava fugindo dos pés confusos de Anselmo. Anselmo tinha medo de Deus. Deus estava em toda parte com seus pés invisíveis.
Pablo Hernandez Alcântara é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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