Com licença, eu vou à luta
Patrícia Cardoso Barcelos
- Se você é daquelas pessoas que odeiam computadores, adoram usar máquinas de escrever e aquelas "calculadoras de padaria" e, definitivamente, não entende porque tantas pessoas gastam dinheiro comprando jeringonças caras que só funcionam com programas não menos baratos, você com certeza também deve achar uma besteira essa tal de tecnologia. Depois de todas essas características, se você teve a impressão de que eu estava falando de você, então você deveria conhecer um cara chamado Peter Leyden.
- Peter o quê?!!!
- Peter Leyden, jornalista editor da revista americana Wire, é o que se poderia chamar de cyberotimista, e prevê um período de grande prosperidade em todo o planeta, uma espécie de "milagre econômico" fomentado pelas novas tecnologias que, segundo ele, teria começado em 1980 e só acabaria em 2025.
- Leyden reúne em sua teoria preceitos que vão do liberalismo, passando por uma inevitável globalização e uma espécie de determinismo tecnológico, que vê as novas tecnologias não como produto do desenvolvimento econômico, mas como fator determinante do andamento da economia atual e futura.
- Entre seus argumento, Leyden cita que o preço dos produtos tecnológicos está cada vez menor, o que permite que eles cheguem a cada vez mais pessoas, e o avanço tecnológico que permite a alguns países pular fases e adotar diretamente as tecnologias mais avançadas, mesmo sem ter implantado infra-estruturas básicas, e cita o exemplo da Tailândia, que com a falta de telefonia convencional, teve sua população partindo direto para a adoção de telefones celulares, uma tecnologia mais barata que não exige a instalação de cabos.
- No caso do Brasil, Peter acha importante aproveitar o grande potencial da população jovem do país, através de programas de educação e de aproximação do jovem com a tecnologia, para inseri-lo no mercado de trabalho.
- Para se defender do principal argumento contra o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, que é o aumento progressivo do desemprego, não apenas em países pobres, mas também em países ricos da Europa e nos Estados Unidos, Peter Leyden acaba reconhecendo que a tecnologia elimina alguns empregos, mas rebate, afirmando que essa mesma tecnologia também cria novos empregos e é uma grande fonte de economia para as empresas. Peter completa que, como as empresas não mantêm seu dinheiro parado, acabam investindo em novos negócios, que geram outros empregos.
- Cadê o Delete ??
- E então, será que você conseguiu se convencer de todos o benefícios que a tecnologia pode nos proporcionar, ou melhor, será que o tal Peter Leyden conseguiu convencê-lo? Se a resposta é n-ã-o, tudo bem... mas que tal pensar com carinho em todos esses argumentos, afinal de contas, máquina de escrever não tem "delete, backspace, enter..."
Patrícia Cardoso Barcelos é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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