O que está em jogo?

Guillermo A. B. Rivera

Após ter tido um desfecho decepcionante (a não ser para os franceses), a Copa do Mundo, terminada, deixou como legado uma série de dúvidas. Muitos, maus perdedores, sustentam que a Seleção teria aceitado um "suborninho" para facilitar o triunfo gaulês. Refuto esta teoria com um cordão de argumentos, mas não é sobre isso que pretendo falar. Nem sobre a crise histérica que afetou um menino supervalorizado. Acho que seria conveniente, agora que o século XX sai de fininho, avaliar a última Copa deste mesmo período, sob o seguinte ponto de vista : o que ela acrescentou ao futebol, afinal ?

Vamos fazer uma rápida análise de futebol, dentro do campo. Quanto a jogadores, nenhum grande craque. Isso se observa desde 1990, já que o último mito surgido em Copas foi Diego Maradona. Previsível, portanto. Quanto a esquemas, nenhuma grande inovação, apesar de que o 4-4-2 utilizado nesta Copa possuía apenas um meia de marcação, e passava, às vezes, para 4-3-3 (vide Croácia e Nigéria) e 4-2-4, como no caso holandês. Alguns jogos que passarão à história, como Espanha e Nigéria ou Argentina e Inglaterra. E uma média de gols boa, porém um pouco frustrante. No geral, uma Copa, mesmo com 32 equipes (o que ajudou a nivelar por baixo) acima da mediocridade vista em 1990 e 1994. Mas não tão boa quanto as melhores, como 1970 - pelo que se diz, pois não assisti - e 1982.

No entanto, o principal legado da Copa da França estava nos bastidores. Não só positivamente, pois esta foi com certeza a Copa mais bem estruturada de todas, mas também referente à eleição de Joseph Blatter e todas suas implicações. Segue-se então o continuísmo da política absurda de João Havelange, que vendeu a Copa para a ISL e por conseqüência à Adidas; que inchou de 16 para 24 equipes, e depois para absurdos 32 times; que foi eleito várias vezes com votos comprados, seja com favores ou mesmo com dinheiro; que possui como oposição um grupo histriônico e infantil, liderado pelo Sr. Johansson, da UEFA. E, claro, todo o mercantilismo que está desvirtuando o futebol, mesmo que por vezes aparente salvá-lo.

A única certeza nesta gestão do suíço é a de continuação do reinado de "tio João" (ou "pai", segundo Blatter), pois ele mesmo admitiu que irá, junto com o pobre Platini, seguir o caminho trilhado por Havelange. Ai, meu São Frienderich !!!

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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