Pela volta do estágio em jornalismo

Joãomar Carvalho de Brito

O estágio velho de guerra está novamente no centro dos debates entre alunos e professores do curso de jornalismo. Desde que sua obrigatoriedade deixou de existir, em meados dos anos 70, como última exigência para o registro da profissãso no Ministério do Trabalho, alunos, professores e profissionais do jornalismo vêm discutindo a questão, sem ainda encontrar uma definição. Deve ou não haver estágio para os estudantes de jornalismo? Sou francamente partidário da idéia de estágio.

Aqui vale um pouco de história. Em 1976, redigi um documento "fortalecimento das escolas e o fim do sistema de estágios em que criticava o sistema de estágios para os estudantes de jornalismo(sua duração era de um ano, a remuneração a critério das poucas empresas que aceitavam o estagiário e não havia acompanhamento da escola) e propunha sua extinção, devendo ser substituído por outro mecanismo (duração de três meses, acompanhamento criterioso da escola avaliação, convênio com as empresas e remuneração negociada com o sindicato da categoria). Este documento foi encampado pelo Sindicato dos Jornalistas de Goiás e apresentado ao XXVI Congresso Nacional de Jornalistas Profissionais, realizado em Curitiba-PR, entre 2 e 5 de junho de 1976, pelo colega Antônio Ribeiro dos Santos. O congresso, ao que parece, não só assumiu as críticas, feitas igualmente por outras delegações e escolas, como encaminhou sugestões que, no final de todo o processo, redundaram no fim puro e simples da experiência do estágio.

Na época, havia uma clara má vontade das empresas com a figura do estagiário e, muitas vezes, por falta de um acompanhamento da escola, ele era duplamente explorado: cumpria carga horária de um profissional, não tinha um sistema de avaliação ou de acompanhamento (nem da empresa e tampouco da escola) e sua remuneração era um descalabro. Ao final da experiência, ele era geralmente dispensado. Falava-se do perigo de uma "indústria de estágios". Na época, chegamos (os estudantes de jornalismo) a um acordo com o Sindicato dos Jornalistas de Goiás, que até chegou a um acordo com as empresas, no sentido de que a remuneração mínima do estagiário fosse de 50% do piso salarial da categoria. Logo depois veio o fim da obrigatoriedade do estágio e não se avançou muita coisa.

O que precisamos hoje é definir claramente como restabelecer o mecanismo do estágio (critérios) e de que maneira ele pode contribuir para a formação do jornalista, melhorar sua integração no mercado de trabalho e preparar sua atuação na sociedade.

Joãomar Carvalho de Brito é professor de jornalismo da UFG.

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