Que tal investir no real?
Nazareth L. de Paula
- Ao andar pelas ruas do Centro de Goiânia, não raro, surgem à nossa frente bilhetes entregues por garotos preocupados em distribuí-los ao máximo de pessoas possível. O que dizem tais bilhetes? "Venham! Façam uma consulta mística! Com certeza, encontrarão os motivos e as soluções de seus problemas." Fica a cargo, então, de quem recebeu a mensagem ir ou não para conferir.
- Grande parte dos receptores vai. Quem sabe?! De repente pode acontecer uma reviravolta em suas vidas. E, também, uma consulta não é tão cara - apenas alguns reais! Ora, uma quantia mínima, insignificante mesmo, em vista das revelações que se pode obter por meio do tarô, da numerologia, da bola de cristal, das linhas da mão etc.
- O que se investe nesta área não é brincadeira. Os que escolhem tal profissão estão cada vez mais contentes. E não é só a classe baixa que investe, as classes média e alta também estão entrando com capital, mesmo que secretamente. O retorno é virtual, só os que têm a faculdade de ver o sobrenatural podem sentir e desfrutar.
- A cada dia, mais e mais pessoas se dirigem ao "mundo" místico com o intuito de encontrar soluções para seus problemas. Procuram também respostas para os mistérios do mundo real. Quando as luzes se apagam, e as esperanças se vão, só resta a fantasia, o sobrenatural. Se o mundo está confuso e perdeu o sentido, a solução é criar um "outro mundo". Muitos pensam assim...
- Mas esse "outro mundo" é uma farsa e não leva a lugar algum. O dinheiro que se gasta com coisas que não existem poderia ser utilizado para resolver problemas deste mundo – a fome, por exemplo. Não cortaria o mal pela raiz, mas pelo menos o dinheiro seria melhor investido e o retorno seria visível: ele viria em forma de vida.
Nazareth L. de Paula é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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