Quem começa errado, termina mal
Júlio César de Paula
- Apagam-se as luzes. Silêncio no ar. Ouve-se um choro. Motivo: está decretado o rebaixamento para a série "B", do campeonato goiano de futebol, da Associação Atlética Anapolina. Uma facção mórbida da cidade de Anápolis, a "Nação Rubra" está de luto e com toda a razão. O desolamento e a depressão atacaram alguns amantes mais apaixonados da Anapolina já que, para eles, o time chega a ser uma crença ou talvez um dogma. A torcida, maior patrimônio do clube, foi humilhada durante anos e quem esteve no estádio este ano suportou mágoas horrorizantes.
- É triste relatar tal acontecimento, ainda mais quando é proveniente de uma equipe que chegou a ser respeitada nacionalmente e conhecida como "xata", pelas conquistas do vice-campeonato goiano de 81 e 83 e do vice brasileiro da Taça de Prata de 81, sem contar o maravilhoso 11º lugar na Taça de Ouro de 82. A situação e o currículo que a "xata" tem no presente momento não serve para o campeonato goiano. Com todo respeito ao Bom Jesus mas nem esse clube caçula da primeira divisão tem consideração pela Anapolina.
- Os políticos de nossa cidade provaram em 98 que não entendem de futebol, pois se conhecessem ao menos uma face desse esporte, principalmente em ano eleitoral, arriscariam altas quantias na Rubra, já que ela tem um poder de mercado que poderia dar lucros altíssimos.
- O ano de 98 não é mesmo da Anapolina. O time foi montado às pressas na derradeira semana (sem nenhum esboço de profissional), mal treinou e estreou levando uma bordoada do Goiás de seis a zero. Além disso, um goleiro do time jogou improvisado no ataque. Depois desse fato, obteve dois resultados positivos, mas não se manteve regular e caiu aleatoriamente de produção. Uma série em cadeia de derrotas perambulou sobre a Rubra e a manutenção no campeonato parecia infindável.
- Os abnegados e a pequena diretoria bem que tentaram mas é pertinente dizer essa frase: "tudo que começa errado, termina mal". Com a Anapolina não foi diferente e o descenso veio assinar embaixo essa tese. Foi uma lição que deve ser tomada como exemplo.
- O bonito que ocorreu no último clássico do século, domingo passado, foi a permanência dos torcedores até o final do jogo. Mesmo com o segundo gol do Anápolis e o resultado hostil da partida em Bom Jesus, a torcida não arredou o pé do estádio e assistiu à derrota achando tudo aquilo uma realidade inacreditável.
- É com uma dor que me aperta o peito que redijo este texto de revolta. Isso ocorre porque aprendi a gostar da Anapolina com o coração pulsando vigorosamente e mesmo com a segundona nas mãos, estarei com a "xata" onde ela estiver. Quanto ao Anápolis, temos que congratulá-lo pelo trabalho que está sendo feito e pelo papel bonito feito por ele nesse campeonato.
Júlio César de Paula é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.
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