Vendo a vida passar...

Leandro Quintanilha Santana

Aos dezesseis, não tiramos o título de eleitor apenas para evitar o transtorno de uma fila no cartório eleitoral ou mesmo para não ter que ir às urnas em pleno feriado. Já adultos, desejamos doar sangue, mas sempre deixamos para amanhã. Um amanhã que nunca chega, assim como a famosa "segunda-feira", data escolhida por nove entre dez gordinhos para iniciar uma dieta. Deixamos também para "depois" a reclamação, quando somos desrespeitados nos nossos direitos de consumidores. Nem vamos às ruas protestar, quando o governo nos prejudica. Sequer comparecemos às assembléias de sindicato. As revoluções ficam para "mais tarde". Não freqüentamos as reuniões do condomínio...

A cidadania, a solidariedade e o amor próprio são vencidos pela inércia. Esquecemos o que realmente importa. Ficamos indiferentes ao mundo a nossa volta.

A falta de atitude se tornou cotidiana, banalizada. Sofremos de um desânimo coletivo, que nos limita. Rouba-nos a execução de projetos, desejos, sonhos. Nos tornamos potencialidades desperdiçadas. Falta disposição, atitude, coragem para uma existência plena. A letargia, terrivelmente perniciosa, domina-nos, anestesicamente. Ficamos preguiçosos, angustiados, obsoletos, medíocres... E, assim, permanecemos: estáticos, sentados diante da TV, vendo a novela passar, vendo a vida passar...

Leandro Quintanilha Santana é acadêmico do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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