Será ingenuidade minha?
Guillermo A. B. Rivera
- Qualquer analise séria das chances da Seleção Brasileira no Mundial da França passa pelo jogo Brasil x Alemanha, realizado dia 25 de março. O confronto entre as duas maiores seleções do planeta atraiu as atenções do mundo inteiro e serviu como o maior teste do Brasil no pós-tetra. O resultado, todos se lembram, 2 a 1 para o Brasil.
- A vitória, por mais expressiva que tenha sido (afinal não é toda equipe que consegue bater a Alemanha, vinda de 22 jogos sem derrota, em casa), não é suficiente para que deixemos de tecer críticas à Seleção de Zagallo. Críticas construtivas, aliás (pretensão, hein?).
- Primeiro, duas palavras em defesa de Zagallo: o clima de Stuttgart não é o mesmo que enfrentaremos na França, em junho; e Juninho, o número 1 titular de Zagallo (mesmo que subentendido, ele praticamente admitiu isso em entrevistas na Alemanha) não atuou.
- Juninho fez falta? Muita. Ficou evidente durante o jogo que Rivaldo não consegue exercer a função de número 1 no famigerado esquema 4-3-1-2 (também conhecido por "queima craque", pois a posição de número 1 acabou com as chances de convocação de Giovanni, Amoroso, Djalminha...) quando vigiado por um esquema de marcação tão eficiente quanto o alemão.
- Mas, mesmo com esses dois argumentos expostos, ainda há o que se melhorar na Seleção. Ficou evidente que Zagallo pelo menos está respeitando e estudando adversários do calibre de uma Alemanha (também, depois de levar uma biaba dos EUA...). Mas talvez não o suficiente. Vale lembrar que o técnico da Nigéria, Bora Milutinovic, filmou até o treino de ambas as seleções, preocupado com um possível confronto com uma delas.
- A nossa velha zaga (literalmente!) continua com falhas impressionantes. É só lembrar que, logo após a expulsão de Dunga, que fazia a proteção no meio-campo, a Alemanha empatou. Além disso, o Brasil precisa parar com esse desespero de se livrar da bola assim que a rouba. Se a Seleção tivesse tido paciência no primeiro tempo e tocasse a bola, com a vantagem numérica, teríamos ido para o intervalo vencendo por uns três gols de diferença.
- De resto, vale ressaltar que a Mannschaft (seleção alemã) não estava em seus melhores dias, longe daquela equipe retrancada e eficiente de sempre, e estou começando a pensar que apostar na Inglaterra ou na França para levar a taça não é uma má idéia. Ou será que a Alemanha entregou o jogo para atiçar os ânimos brasileiros e fazer a Seleção entrar no Mundial "de salto alto", como sugeriu um famoso cronista paulista? Ingênuo que sou, espero que não.
- PS.: Existe anti-clímax maior que ouvir Campeonato Goiano após um amistoso desse calibre?
Guillermo A. B. Rivera é acadêmico do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Guillermo A. B. Rivera ou para a direção do jornal.
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