Universidade: a escola da cidadania
Lorena Percussor Antunes
- Sempre ouvi dizer que a partir do momento em que nascemos, adquirimos um registro civil e assim somos considerados cidadãos. A cidadania familiar a qual exercemos na infância foi se tornando cada vez mais desinteressante a cada dia que eu assistia aos noticiários anunciando a triste realidade brasileira. Eu já era uma jovem e corria em minhas veias uma vontade de lutar. Eu precisava exercer a cidadania de fato e ouvi dizer que ao ingressar na Universidade, começaria a exercê-la realmente. É assim que todo jovem começa a sonhar com a Universidade.
- Realmente o que dizem é verdadeiro, em termos. Comecei a exercer minha cidadania nas mínimas atitudes. Desde a hora em que eu pego o coletivo com destino à faculdade até a hora em que entro na sala e espero o começo das aulas.
- A hora em que o coletivo chega é sempre tumultuada. Para se entrar num ônibus, é preciso que você corra e tente fugir da aglomeração que se forma na porta do ônibus com estudantes que não querem se atrasar para a aula e precisam pegar o ônibus, pois o próximo, "nem Deus sabe a hora de circular". A vontade de fazer a "viagem" de preferência sentado faz com que os empurrões e cotoveladas nos próprios colegas possam garantir um lugar confortável. Agressões desse tipo aos colegas acabam sendo perfeitamente compreensíveis pela própria situação que nos obriga a fazer isso visto que é por uma causa justa: assistir às aulas.
- O universitário até esquece do sufoco de horas atrás quando entra na sala de aula. Mas quando ele espera horas e se dá conta de que nenhum professor vai aparecer para dar aula, a paciência se esgota e um ser revolucionário que temos guardado dentro de nós salta aos olhos da sociedade. É a hora em que a revolta fala mais alto e a vontade de fazer valer os nossos direitos é incontida.
- Nosso governador tem um remédio para acalmar os ânimos de estudantes exaltados: manda a polícia militar conter uma manifestação pacífica num país literalmente democrático. E já que a "bomba" dos problemas universitários explodiu, a polícia tem ordens para soltar as famosas "bombas de efeito moral".
- Sabemos que o ensino público e gratuito de qualidade não é prioridade do governo. Manter a Universidade pode causar danos como a intelectualização das pessoas, o que é desvantajoso num país onde as facções ou partidos políticos que estão no poder devem isso em maioria à camada menos informada da população, que geralmente é a mais pobre e não tem condições de financiar os estudos.
- O indivíduo, a partir do momento em que adquire informação, tem senso crítico para enxergar o cinismo do governo federal que diz que instituições públicas como a UFG estão sendo mantidas com dificuldades e que ele não tem condições de conceder aumento de salário aos professores que mereciam ganhar bem mais do que ganham pelo simples fato de serem responsáveis pela formação intelectual da população brasileira. Sendo assim, a melhor solução segundo o governo federal é estudar uma futura privatização.
- Enquanto o governo federal fala em privatizar as universidades, o nosso governador insiste em construir ginásios e implodir o Centro Administrativo de Goiânia sem a menor necessidade já que temos o Ginásio Rio Vermelho e o Serra Dourada com infra-estrutura suficiente para eventos esportivos. Mas quem consegue conter o fanatismo esportivo do nosso governador? Sabemos também da comprovação por profissionais de que o Centro Administrativo só precisa de reformas.
- Quanto ao transporte urbano, todo ele é caótico. Mas nós, estudantes, somos uma parcela privilegiada da população brasileira. Temos conosco o poder do senso crítico e da informação. Desde então, somos os responsáveis pela melhoria da situação do nosso Brasil e só conseguiremos a vitória se exercermos conscientemente essa cidadania.
Lorena Percussor Antunes é acadêmica do 2o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|