Chiclete cura dor de dente

Júlio César de Paula

Notícias interessantes sempre movimentaram o futebol brasileiro em início de temporada, porém casos irreverentes que por um motivo ou outro não foram anunciados pela imprensa, fizeram dos clubes anapolinos razão para muitas chacotas, revoltas e gargalhadas dos comunicadores, torcedores e leigos do esporte.

A renda que deveria ser usada para pagar bichos e salários dos jogadores, comumente está sendo levada por oficiais de justiça para quitar as dívidas trabalhistas que já passaram pelo time da cidade de Anápolis. Os jogadores é que sofrem com isso, pois o dinhei-ro prometido pelas diretorias após a vitória em uma partida vai embora sem deixar cheiro, cor e valor.

Três índios estão fazendo sucesso no Anápolis. Entre eles, o que mais se destaca é o atacante Ricardo Esse-YA, que já é ídolo e vangloriado por toda galera do Galo. O jogador no início do Goianão nem treinava quando Zé Teodoro era técnico mas, quando chegou o treinador China, Esse-YA desbancou Ludo, vice-campeão brasileiro pelo Bragantino em 91. Os três índios farão parte da seleção indígena que jogará uma partida antecedente ao jogo inaugural da Copa da França, convidada pelo organizador oficial, Michel Platini.

Fato anormal ocorreu com Alencar do Anápolis, que sentia fortes dores de dente, mas sem dente. O atleta havia extraído o dente ciso, ficando uma semana sem poder atuar e o engraçado é que o dentista do clube receitou ao jogador um chiclete para acabar com a dor. Alencar mascou chiclete sem dente e a dor passou. Que coisa! Um momento de desgosto na concentração ocorreu quando a luz foi cortada e os jogadores tiveram que jantar à luz do farol do carro do goleiro.

Falemos da Anapolina, cuja condição é um pouco pior que a do Galo. Como o zagueiro Ademir é graduado em Educação Física, ele foi escolhido para ser preparador físico da equipe. Assim, a "xata" não precisou de contratar um profissional da área. O maior salário de um atleta na Rubra é 600 reais e tem um pobre jogador que ganha 200 reais para ser titular. Economia é bom fazer mas, quando a penúria assola, o bicho pega. A torcida é o maior patrimônio do clube, e a prova disso é a 3ª colocação no ranking de público do Campeonato Goiano de 98, mesmo a com a Anapolina estando na zona de rebaixamento.

A Anapolina não tem sede nem endereço. Os jogadores moram em uma casa alugada e até dormem em cima de colchão. Com tristeza anuncio tal horror para um clube que em 1982 foi o 11º melhor time do país. Para fechar o caixão de Anápolis e Anapolina, vou terminar falando dos patrocinadores, inexistentes. Enquanto Goiás, Vila, Jataiense e Bom Jesus têm empresas de Anápolis bancando uniformes e tudo mais dos quatro times, os clubes da cidade não conseguiram nenhum. Que coisa feia, que papelão! Só os times de Anápolis estão nessa situação.

Júlio César de Paula é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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