Aonde foi parar o bom senso?
Gisleângela Silva Ferreira
- Desde que o Ratinho se tornou o mais novo herói do povo, venho tentando descobrir qual o verdadeiro sentido da televisão. Deu a louca nos programa-dores ou estou sendo incompreensiva demais com suas "boas intenções"?
- O Ratinho arma toda a sua defesa alegando que o povo precisa de justiça. Enquanto isso seu mais novo amigo Sílvio Santos trabalha em um contrato milionário para ver se consegue a honra de ter o apresentador no SBT. Talvez o programa da Márcia (aquela que, por imensa generosidade, tenta resolver casos como o do marido que trocou a esposa pela cunhada) já não seja mais suficiente para manter a péssima programação da emissora do "Seu Sílvo". Aí eu fico me perguntando... Até que ponto a televisão vai chegar se atualmente seus proprietários e programadores seguem a linha de que a maior audiência se ganha com a maior pancadaria!?
- Devo confessar que isso decepciona em muito as minhas expectativas para a televisão. Quem diria, hein!? A Rede Globo perdendo audiência para a Record... Talvez se fossem outras as circunstâncias eu ficaria até feliz, mas nesse caso só tenho a lamentar. É no mínimo deprimente reconhecer esse papel tão denegrido que a televisão tem assumido. Como se já não bastasse a escabrosa realidade que se constata na vida do "povão" brasileiro, somos obrigados agora a assistir a uma disputa, em horário nobre, para ver quem é que tem a maior desgraça em sua vida particular.
- Penso que a televisão, como um meio de entretenimento e principalmente de informação, tem realmente o dever de retratar a realidade para que não seja um simples meio de alienação. Mas daí a incitar no público telespectador a "fome" de tragédias, fazendo da televisão um palco de baixarias domésticas ou de aberrações da natureza, já revela a incapacidade da televisão brasileira de evoluir. Chegamos a uma época em que não mais a televisão comanda a atenção do público, e sim este determina o que a televisão deve ou não ter em sua programação.
- Nada pessoal contra o Ratinho ou mesmo contra a Márcia... Talvez eles nem tenham consciência do que estão fazendo ou então se prestam a esse tipo de trabalho porque não "podem" recusar a "bolada" que recebem por mês...
- E enquanto a televisão vai contribuindo para a ignorância dos brasileiros, nós, futuros profissionais da comunicação, devemos nos perguntar... "Daqui a alguns anos, aonde vamos nos encaixar em meio a tanta porcaria?..."
- Afinal de contas, se depender do povo brasileiro, a baixaria vai continuar...
Gisleângela Silva Ferreira é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|