A defesa das palavras

Nazareth L. de Paula

Certas palavras encontram-se impregnadas por fortes ideologias. Isso faz com que sejam encobertas por falsas significações, que têm origem em acontecimentos e clichês que marcaram épocas. De acordo com o contexto no qual as utilizamos, corremos o risco de sermos vítimas da incompreensão.

Por exemplo, quando se fala em "disciplina" e "ordem", surge imediatamente na cabeça das pessoas imagens ligadas à ditadura, ao nazismo e ao fascismo e ao conservadorismo. Partindo deste ponto indivíduos que se julgam "esclarecidos" entram em cena, dizendo: "Não use esse termo! Atualmente seu uso não é bom". E, assim, acabam contribuindo para a disseminação de tais visões, em vez de combatê-las.

Essa linha de pensamento constitui uma forma bastante simplista de encarar a situação. Tenta-se remediar, em vez de procurar a cura. É como dar fim a uma discussão que ainda não se apresenta concluída. A partir daí, o que pertence ao campo objetivo passa para o subjetivo.

Ora, escrever é uma forma de arte. E sua matéria-prima é a palavra. Portanto, quanto maior o campo de escolhas, melhor o resultado. Sendo assim, quaisquer perdas causam danos terríveis. É que certas palavras não se encaixam em determinadas seqüências. Quer dizer, é esta e não aquela que ficará bem. É algo que tem a ver com o estilo de cada um.

Estas questões parecem banais, mas na confecção de um texto são essenciais. Por isso, proponho, por meio desse artigo, que façamos a defesa das palavras que se encontram injustiçadas e condenadas ao esquecimento. Elas não merecem perecer por ignorância de alguns; são uma fonte inesgotável de beleza, se bem utilizadas. Sim, beleza. Caso contrário, como poderíamos dizer que um texto é belo? Se não as defendermos, estaremos decretando a morte gradual da escrita.

Nazareth L. de Paula é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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