Reforma Urbana
Giordano Maçaranduba
- A Reforma Agrária é uma medida que deveria ter sido tomada há no mínimo três séculos no Brasil. Hoje ela é tardia. Estamos num processo de adesão periférica ao grande mercado mundial que está se formando. Será muito ruim o país participar dele somente como consumidor e mão de obra barata.
- Não é hora de ficarmos com saudades do passado agrícola de nosso país. Não é possível que um país grande como este não aproveite seu imenso território para produzir, é verdade. Mas é uma imensa e redundante burrice continuar exportando produtos In natura.
- É necessário que se tomem as indústrias e transformem estas em cooperativas. É imprescindível que o país se volte para a produção de produtos industrializados. Além de produzir novos produtos, mais valorizados pelo mercado, produzir-se-á muito mais renda liquida por metro quadrado que as atuais fábricas produzem. Não é preciso mandar as favelas para o campo, tragam-nas para os bairros de classe média, cooperativizando o setor secundário.
- O país deve se conscientizar que o processo de mundialização do mercado é irreversível. É preciso que escolhamos o nosso papel dentro do mercado mundial. Se não escolhermos tenho certeza que eles serão bonzinhos o suficiente para reservar-nos o pior lugar no mercado: o de exportador de matéria- prima. Talvez até não seja preciso que eles nos reservem esse lugar, nós mesmos vamos acabar por escolhê-lo do jeito que está. Se não se tomarem as fábricas e ficarmos com o mesmo pensamento retrógrado, o Brasil desta vez não resiste.
- O país deve desenvolver sua potencialidade industrial e deve desapropriar no mínimo 80% das indústrias (Se for preciso luta armada para isso, que se faça!), numa medida que criaria muito mais empregos e reforça o poderio econômico do país.
- O crescimento do setor secundário promove o crescimento dos outros dois setores. Reforma Agrária talvez ainda seja necessária, Reforma Urbana é imprescindível. Muitas constatações me levam a crer que a Reforma Agrária pregada é desculpa.
- De uma hora para outra algumas das forças mais retrógradas do Brasil começaram a aceitar e algumas até a defender a reforma agrária. Se vocês acham que isso ocorre somente devido a pressão dos movimentos sociais, vocês são no mínimos ingênuos (ou até aproveitadores espertos. Prefiro não pensar nessa hipótese).
- Sempre se tentou expulsar os excluídos das cidades. Primeiramente a forma era os bairros periféricos (Quando a sociedade e o Estado ainda intervinham). Depois vieram as favelas (nítidas improvisações, condições propícias para expulsar qualquer um pensaram). Primeiro coibiam a sua realização, devido à ofensa ao senso estético da elite, afinal enfeia a cidade , mas quando começaram a pensar na "improvisação e a expulsão", começaram a permitir a realização e até a incentivar a sua criação através do descaso da sociedade para com os necessitados. Mas as favelas insistiram em crescer sem respeitar o espaço dos senhores das terras e da cidade e as senzalas começaram a incomodar as casas grandes.
- Daí saiu a solução com um fundo extremamente preconceituoso e por isso conservador (conserva o preconceito) com uma aparência progressista da história mal contada de mandar a favela para o mais longe possível o campo.
Giordano Maçaranduba é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Giordano Maçaranduba ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|