Onde está nossa identidade nacional?
Carlos Eduardo Reche
- Estou em Goiânia há apenas três semanas mas já me impressionei com o ponto de vista de alguns goianos - bem como o de cidadãos de outros lugares do Brasil - a cerca do Norte do país. Idéias como as de que lá índios andam nus nas ruas, onças circulam pela cidade e sem-terra invadem tudo são comuns.
- O pior disso é que essas idéias não são por gozação. Elas revelam a mentalidade de que o povo do Centro-Sul do Brasil - sem querer generalizar o fato - tem do Norte do país. Mas isso não é tudo. Em São Paulo, por exemplo, a mentalidade de que em Goiânia carros de bois e galinhas circulam no centro da cidade é bem comum. Parece loucura? Pois não é!
- O quê estou fazendo aqui não é uma crítica a mentalidade do goiano ou do paulista. Estou fazendo uma crítica à imprensa brasileira, que é responsável por esses rótulos preconceituosos das regiões do Brasil. Tudo isso graças a uma notícia fragmentada e centralizadora, que privilegia o Sul e Sudeste do país em detrimento das outras regiões. É isso que faz o Pará ser conhecido pela fauna e pela flora (apenas) e na fauna a mentalidade da inserção do índio, o Goiás pelos bois e o Mato Grosso do Sul pelo Pantanal.
- Quando vai acabar essa centralização da notícia apenas no Centro-Sul e especialmente no Sudeste? Quando outros estados vão passar a compor o Brasil e seu povo receber o título de brasileiro? E onde está a globalização em tudo isso? Por aqui ela parece ser a mais eficaz externa do que internamente.
- Resolver o problema de nossa identidade nacional é que vai "descurralizar" o Brasil e desmistificar esses conceitos, arrancar esses rótulos preconceituosos e sem validade e mostrar o conteúdo do nosso país, sua gente, seus costumes, suas crenças, seu desenvolvimento cultural, suas metrópoles, de norte a sul sem a hierarquia desenvolvimentista, que camufla os verdadeiros currais - aqui o nosso curral eleitoral - através do desenvolvimento de um jornalismo mais engajado e preocupado com essa identidade. Caso contrário, vamos naufragar em nossa mesmice e continuar bestificados diante do crescimento das grandes potências, que transbordam de identidade cultural.
Carlos Eduardo Reche é acadêmico do 2o. ano de jornalismo da UFG.
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