1998, o ano em que 1968 terminou

Marcos Rogério Lopes

Dia 26 de Março. Dia histórico na UFG. O campus II virou campo de batalha, com direito a bomba de gás lacrimogêneo e pancadaria por parte da polícia, reprimindo o protesto de estudantes contra o fim do transporte alternativo, que, ensandecidos, depredavam os ônibus da linha convencional.

Mas, um momento! Deixa eu tentar entender o que aconteceu. Faltando transporte aos universitários, quebraram os ônibus que existiam, naquele instante, para este transporte?

Estranho, não? Qual será a brilhante idéia que o DCE da UFG vai ter para solucionar o problema de falta de professores na universidade? Se eu fosse professor, ficaria com medo.

A verdade é que o DCE, em seus quinze minutos de fama, mostrou o quanto está despreparado para qualquer tipo de manifestação. Ter na ponta da língua um precário discurso de esquerda não ajuda em nada. Dividir o mundo entre o bem e o mal redunda em erro e em decisões simplórias e precipitadas. Em suma, dá margem à manipulação em proveito de grupos com interesses escusos.

Assim foi no último dia 26 de março. Independente das provocações da Transurb, houve uma decisiva participação da associação responsável pelo transporte alternativo neste incidente. Tanto que quem quebrou o vidro do primeiro ônibus depredado foi um dos integrantes da associação. Agravando ainda mais a situação e inflamando os estudantes àquele injustificável vandalismo e ao confronto com a polícia.

Aliás, transporte alternativo, para quem não se lembra, é aquele mesmo que andava a quase 100 km/h, sem nenhuma prudência pelas ruas. Que não tinha cintos de segurança, era quente e abafado em seu interior e que colocava quatro pessoas nas poltronas onde só caberiam três. Aquele mesmo que transportava, contra a lei, moradores próximos da universidade e que, na maioria das vezes, seus motoristas haviam suas licenças para dirigir.

Que a questão da falta de transporte é séria e que o DCE deve se posicionar sobre este assunto e cobrar providências para minimizá-lo, não há dúvida. Porém, com inteligência. Deve-se ter em mente que o que se está defendendo é a qualidade nos serviços destinados aos universitários, o que é diferente de fazer o jogo do atual grupinho envolvido com o transporte alternativo.

Marcos Rogério Lopes é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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