Midiocridade
Gilberto Gomes Pereira
- Todos sabemos que a televisão é um dos Meios de Comunicação de Massa que mais influenciam a sociedade ocidental contemporânea. Seu poder de sedução é capaz de transformar nossa realidade. Seu fascínio age sobre nossa imaginação e nos induz a fazer parte de um mundo abstrato que nós mesmos criamos e no qual não há possibilidade de entrarmos. Então recriamos o nosso próprio universo de significações a partir daquele criado por nós na Televisão. Acontece que este grande veiculador de cargas simbólicas, conselheiro de diversos segmentos socioculturais, não está merecendo tanta apreciação por parte daqueles que gostariam de ver maior dinamismo e versatilidade na sociedade de que faz parte. A baixaria, a falta de criatividade e os programas monótonos estão reinando quase que absolutamente na órbita televisiva.
- Todos os dias, as pessoas se empanturram de programações, no mínimo irrelevantes para sua formação de cidadãos conscientes e críticos. No Brasil, as chamadas TVs abertas não oferecem quase nada de interessante para se ver. As TVs por assinatura não são lá muito diferentes. Apenas oferecem mais canais, com mais inutilidades acumuladas. No final de semana, o tempo em que o número de espectadores aumenta, a parada é ainda mais dura. A Globo preenche seu espaço com: filmes de pouca expressividade e repetidos pela enésima vez; Faustão e suas piadinhas ridículas; o "Fantástico" e "Sai de baixo" com um personagem que passa o tempo todo fazendo apologia ao racismo. A Record é capaz de falar de Deus, de manhã, colocar um "ratinho" no ar, à tarde, e, à noite, filmes de violência. O SBT ...
- Não estou querendo dizer que é pela Televisão que se faz todo o processo educativo de um indivíduo. Mas, tal instituição, como um meio de comunicação de alcance incomparável, e tendo como finalidade principal o entretenimento, deveria se desintoxicar para melhor aproveitamento cultural. Afinal, o entretenimento também faz parte dos costumes e valores de qualquer sociedade, portanto, parte integrante do mecanismo de desenvolvimento e transformação culturais.
- Se as mensagens recebidas pela Televisão, com pouca exceção, são medíocres, o conteúdo de produção cultural, veiculado por esse mesmo meio, também será de pouco merecimento. Pois é do uso que se faz do meio que sairá o resultado final. E se há apenas lixo, será consumido apenas lixo, e as ondas que ecoarão para as diversas camadas sociais serão, do mesmo modo, um lixo. Por esse prisma, o velho Mcluhan estava certo. O meio é a mensagem. E o resultado, é o que se consegue produzir nele (no meio).
Gilberto Gomes Pereira é acadêmico do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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