Cidadania à brasileira
Nazareth L. de Paula
- É incrível o descaso de grande parte da população brasileira para com as leis. As pessoas parecem sentir verdadeiro horror a palavras como: "lei", "ordem" e "disciplina". São inimigas da justiça e do desenvolvimento. O desrespeito é tão grande, que não se pode descartar a hipótese de sentirem até mesmo prazer em cometer faltas! Afinal fazem de tudo para honrar a imagem de "malandro" que tem o brasileiro - aquele que só pensa em futebol, sexo, cerveja, e que dá sempre um "jeitinho" de fugir de suas responsabilidades.
- Se saem à rua, e jogam lixo no chão, sentem-se verdadeiros "cidadãos brasileiros". Cumpriram a lei ( a lei da malandragem!). Furar filas, então? Constitui um ato cívico! É natural, aqui, ver pessoas passando à frente de outras pelo simples fato de terem encontrado um conhecido na fila. E o pior é que quem já estava esperando fica inerte, aceita amigavelmente, como se houvesse um tácito acordo entre eles.
- Qual a origem de tal atitude? Por que tanto conformismo e tanto jogo sujo? Se alguém tenta impedir o criminoso, logo é bombardeado por risadas escarnecedoras. O que dizem, e o que pensam? "Pobre coitado! Apenas mais um palhaço que acha que pode mudar o mundo!..." Sociedade bastante confusa é a nossa, na qual o vício torna-se virtude.
- Não adianta dizer que a culpa é somente do sistema, porque não é. O lema dos faltosos parece ser: "Se a situação está ruim, vamos dar um 'jeito' de piorá-la." E, assim, dão continuidade ao círculo vicioso, passando suas experiências de geração para geração. Já é comum ver pais "ensinando" aos filhos como se deve agir para infringir normas. Estão criando monstros. É preciso disciplinar, não corromper. Não é feio respeitar os regulamentos, o que é feio é sujar o título de cidadão.
Nazareth L. de Paula é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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