Farinha, Hoje Carniça

Giordano Maçaranduba

Em algum tempo, em alguma época e sobretudo em algum lugar havia um país do qual um francês, provavelmente Montes Que Eu, disse que não era um país sério, provavelmente deveria ser um país engraçado.

Conta-se que neste país o dinheiro pegava fogo, em combustão espontânea. Esse era um problema que desagradava a maioria dos habitantes do país, menos os banqueiros, que além dos bancos das praças controlavam os extintores e os cemitérios por direito adquirido.

Graças aos deuses do Banco Mundial, aliás este emprestou seus deuses por módicas taxas de 99% ao dia, ascendeu ao poder um intelectual formado em Enobros. Este formou-se em Sociologia primitiva, onde aprendeu os altos valores humanísticos dos Hunos e diversas línguas como o Economês.

Tornando-se ditador eleito, este logo apresentou sua imensa sapiência. Descobriu que se colocado sangue humano ou de baratas combustões espontâneas de dinheiro acabariam. Como ele tinha um alto apreço pela ecologia decidiu preservar as baratas e sacrificar um funcionário público por dia.

Realmente o ditador era genial. Como o país tinha um crescimento populacional muito grande, ele decidiu criar uma guerra: A guerra do 10-em-prêgo. No primeiro ano matou dois milhões. Já no segundo ano o governo ficou satisfeito em anunciar que o crescimento das mortes havia diminuído de 100% ao mês para 98% ao mês. Até as oposições ficaram felizes em saber que apesar do crescente genocídio da nação, o ritmo havia diminuído.

Num ato brilhante, o déspota esclarecido, decidiu que ninguém mais devia fazer universidade. "Estudar já é chato, ainda mais esse tanto de tempo!". Decidiu colocar televisão nas salas de aula de 1º Grau. A televisão educa muito mais. E montou salas de computação para analfabetos, numa excelente interpretação da idéia do sociólogo Paulo Renato Freire. Este é o ministro da deseducação. O da educação foi extinto. "Educar é uma tarefa infrutífera".

Decidiu acabar com os hospitais pois assim acabaria com as enfermidades no país. "Sabendo que não tem hospital, o povo não adoece".

Para que os banqueiros da praça não ficassem desagradados decidiu dividir os impostos entre eles e sua família. Realizou uma estrondosa Reforma Agrária de assentamento de primos, tios e irmãos.

O povo ficou tão satisfeito que lhe deu o título de Fernando, o grande. Um grande F.D.P. (Feliz Doutor Presidente). Ele ganhou de presente um tour turístico de 4 anos (talvez, de 8). Os mais satisfeitos foram os trabalhadores rurais e agricultores, que manifestaram seu apoio gritando: "Vai plantar batata!".

Foi sem dúvida o melhor e último presidente desse país. Infelizmente foi comprado pelos EUA (Estados Uruguaios e Argentinos). E o país explodiu misteriosamente. Dizem que foi o FHC dos canos de gás.

Giordano Maçaranduba é acadêmico do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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