A desmoralização das universidades
Eduardo Horácio Jr.
- Ao analisar o papel do governo federal na educação brasileira, percebe-se algumas contradições.
- Primeiramente, ele tenta argumentar que o problema principal está no gerenciamento. Com isso tenta esconder que o Brasil é um dos países do mundo que menos investem no setor educacional. O último anuário da Unesco (que boa parte da nossa imprensa não divulgou) colocou o Brasil na antepenúltima posição do planeta em gastos com educação. Conseguimos ficar atrás apenas de Bangladesh e Guiné Bissal.
- Gastamos pouco mais de 3% do nosso PIB (a poderoa Botsuana aplica 7,6%) e o governo daqui ainda inclui no orçamento para educação itens como telecomunicações e defesa terrestre.
- E tratando especificamente das universidades o problema é ainda maior. A nova tática do governo é imputar às universidades a culpa pela crise no ensino básico. As universidades federais estão caindo aos pedaços e o nosso ministro da educação insiste em dizer que se gasta demais com o ensino superior.
- A mais nova estratégia do governo é avaliar (?) as nossas universidades com o Provão. Gasta-se muito para constatar obviedades, criar um ranking das universidades e ainda ferir o princípio constitucional da autonomia universitária (ao estabelecer a obrigatoriedade do Provão).
- O fato de se criar um ranking das universidades - o que a imprensa já está tratando de fazer - acarreta uma série de problemas. Algumas instituições estão estabelecendo mecanismos para que seus alunos se saiam bem no Provão. Isso só aumenta a procura - o que provoca uma desigualdade ainda maior no acesso ao ensino superior - e ainda não avalia se a universidade está cumprindo com padrões mínimos de qualidade, tais como pesquisa, método de ensino e extensão. Na UFRS, por exemplo os formandos estão optando por não freqüentar as disciplinas extra-curriculares para estudarem para o Provão. Não é um bom sinal.
- Não deixa de ser também uma maneira cômoda e simplista de "resolver" o problema. Atribui-se toda a responsabilidade aos alunos, exigindo mais um exame ao final do curso, mas tolera-se que novas faculdades sejam abertas sem critério algum e sem um mínimo de fiscalização. Por que não submeter os donos de escolas a exames que avaliem honestidade e os professores a testes que comprovem capacidade? Não, o objetivo do governo é mostrar que as universidades estão sucateadas e com isso aplicar o Estado mínimo, privatizando-as o mais rápido possível.
Eduardo Horácio Jr. é acadêmico do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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