NIASSA

UM SONHO LÁ NO ALTO

 

Mapa NiassaEm todo o país a natureza encarregou-se de recortar para os olhos do Homem a beleza caprichosa de uma paisagem ora amena ou agreste, ora tímida e impetuosa. A Província do Niassa parece ser a síntese desta explosão da natureza, onde as forças telúricas desenharam nos momentos cruciais da criação um rosto inconfundível.

Atravessado por auríferos rios de leito estreito mas caudaloso correndo por entre montanhas rochosas mas normalmente bastante arborizados, o Niassa é uma espécie de cadinho onde se mistura a riqueza singular do seu solo e subsolo, com a majestosa dignidade da sua geografia humana.

Par quem sobe estas montanhas que emolduram quase toda a Província vindo do Sul ou do litoral distante de Cabo Delgado, há algo de surpreendentemente belo que o espera ao chegar aos limites nacionais deste território. Deslumbrante, depara-se aos olhos do caminhante um mar nunca imaginado, um mar de águas doces, bonançoso, e que só nos dias de tempestade perde o azul do céu transformando-se na cor da lama do início do mundo.

É o lago Niassa, espantoso mar interior que faz fronteira entre Moçambique, Malawi e Tanzânia. Porém, ao contrário de uma fronteira ele é sobretudo um grande caminho de água por onde, milenarmente, homens de toda aquela zona se comunicam e ali vão também ganhar o pão-peixe de cada dia.

DesenhoDe facto, falar do Niassa é ter nos olhos este lago-mar que chega a ter marés. É sentir nos pés a macieza das suas areias a fazer esquecer as caminhadas difíceis pelas montanhas que tocam o céu. Mas falar do Niassa é também referir a grande encruzilhada humana, é falar dos Nianjas, Ajauas e Macuas, povos bantu que para aqui emigraram e fazem agora um caldeamento rico de cultura com as línguas, suas tradições, seus ritos, sua arte.

Das canoas do lago, cuja técnica de construção se perde na memória-mão da história, ao entrançado fino mas consistente dos carecterísticos cestos cilíndricos de Lichinga e Metangula, há toda uma antropologia cultural a preservar e que enriquece o país.

Milho, feijão, mandioca, batata rena, batata doce, horticulas são as principais produções agrícolas que aqui se cultivam em abundância. Nos últimos anos foram também introduzidos árvores de fruto da europa como a macieira, a pereira, a cerejeira e outras espécies que o clima frio e seco desta província favorece. O trigo é outra cultura introduzida neste chão riquíssimo do Niassa. Não se pode falar do solo sem se falar de imediato no seu subsolo ainda não explorado, mas cujos estudos mostram riquezas que podem transformar o Niassa numa das Províncias mais desenvolvidos do país. Ferro, carvão, ouro são alguns dos muitos minerais que estão à espera de uma exploração imediata.

fotoE tudo isso precisa de homens e mulheres, de jovens trabalhadores, Acontece, porém, que o Niassa é a Província menos povoada do país. Nos seus 119 mil quilómetros quadrados de superfície (não incluindo a superfície do lago) vivem pouco mais de 500 mil pessoas, número este que certamente ficou ainda mais reduzido devido à guerra que provocou muitos mortos e fugas maciças para os países vizinhos.

O Niassa é assim um convite cheio de promessas para um povoamento interno, para uma sedentarização urgente de milhares e milhares de pessoas dispostas ao desenvolvimento. Servida por uma linha de caminho de ferro que a liga à Província de Nampula e ao bem situado porto de Nacala, o Niassa tem por isso e para já uma forma de escoamento rápida e barata dos seus produtos tanto para o mercado interno como para todo o mundo.

Niassa é, efectivamente, um sonho lá no alto.

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