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De que maneira olhamos um país, um território, um povo com os seus diversos grupos sócio-culturais? Nós quisemos olhar Moçambique de uma certa forma, para lá das imagens de guerra e fome, da penúria real que nos tolhe. Quisemos olhar na cor, a paisagem humana e natural; na arvore a sombra e a riqueza; no mar, a vida e o alimento. Quisemos olhar na palhota ou no palácio, na mesquita ou no templo cristão, o recanto acolhedor dos nossos hábitos, nossa história. Quisemos olhar na madeira que esculpimos, na dança que criamos, os seres pluriculturais que somos. Quisemos olhar Moçambique de Quionga à Ponta do Ouro com o olhar da emoção, do amor por este chão, com o olhar do sorriso destas crianças, com o olhar da esperança que cresce no milheiral em bandeira ou que se abre em braços verdes nos coqueirais à beira-mar. Quisemos olhar Moçambique que sabemos ter. De facto, cansados de imagens dantescas da guerra, cansados de olhar por demais penoso, quisemos também ver, porque também existe, a outra face das nossas gentes e da nossa terra. Quisemos ver inclusive, a nossa história enriquecida de séculos de convivência. Realmente, ao longo da sua história e mesmo antes de os portugueses a delimitarem com os contornos geográficos que actualmente possui, ou seja, depois do tratado de Berlim de 1885, Moçambique foi palco de diversas movimentações de povos, de muitas interpenetrações culturais que, a nosso ver, enriquecerão as raízes etno-culturais moçambicanas.
Nota de Edição
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