Velhas Férias

Dois velhos suíços em um transatlântico. Depois que Frankel quase morre em virtude de um edema pulmonar, Isabelle, a enfermeira sueca, consegue convencer os dois a fazerem uma viagem de férias pelas quentes águas do Caribe. Embarcaram os três, então, para uma temporada de dois meses em um desses imensos navios decorados com centenas de lâmpadas, como uma gigantesca árvore de natal flutuante. Por problemas financeiros, só foi possível alugar uma cabina para os três. É que Frankel e Gruber estão enfrentando um processo movido por um casal de alemães, sob a acusação de tentar incendiar seu filho.

Isabelle cuidadosamente os instala no quarto, que possuí uma única cama de casal para os três. Ela está linda, sem o uniforme de enfermeira, usando apenas um vestido florido que mal chega aos joelhos. Depois de muito trabalho, Isabelle conseguiu convencer os dois velhos suíços a tirarem as roupas de lã e casimira e envergarem bermudas de linho e camisas coloridas.
- Sinto-me um idiota com essa camisa - Fala Gruber, resmungando.
- Ah, que nada, vc parece um daqueles velhos de a Ilha da Fantasia, que vão até lá atrás da fonte da juventude.
- Fala Frankel, com um sorriso malicioso no rosto.
- E você parece um daqueles velhos safados que viajam até os países do terceiro mundo em busca de um pobre e inocente garotinho que faça tudo por uma nota de cinco doláres.
- Estão com calor? - Pergunta Isabelle, fazendo beiçinho e cara de preocupada.
- Não, o ar condicionado está ótimo...- Frankel não esconde o imenso sorriso do rosto.
- É, está tudo bem. - Completa Gruber, este também é só sorrisos.
- Muito bem então. Eu vou até a piscina tomar um solzinho. Vocês vão ficar bem?
- Claro! - Respondem os dois em uníssono.

Isabelle sorri e começa a desabotoar o vestido florido. Está usando um biquíni minúsculo por baixo. Seu corpo é fabuloso. Frankel e Gruber ficam paralisados, os dois sentados na cama. Ela termina de tirar o vestido, pega a sacola e dá tchauzinho para os dois. Estes respondem com acenos de mão entusiasmados.
- Você viu o corpo dela, Gruber? É maravilhoso. Acho que tive uma ereção.
- Teve nada, você devia era tomar vergonha na cara. Esse negócio mole e acinzentado aí já era pra ter ido para o lixo a muito tempo.
- Engraçado, não foi a mim que o médico propôs a retirada do pênis para facilitar as funções urinárias, porquê o canal vivia entupindo com as merdas que não sei como entram no seu rim.
- Nada disso, foi quando eu tive câncer na prostata. E o médico não queria cortar tudo fora, só fazer uma intervenção cirúrgica.
- Na Arábia Saudita eles fazem isso com os estupradores e chamam de intervenção cirúrgica, também.
- Meu Deus, como você é ignorante! Na Arábia Saudita eles fazem castração, e é esse o nome dado a punição: Castração.
- Ah, eu não quero discutir hoje. Vamos comer alguma coisa. - Frankel está abatido. Gostaria de estar em Ogden, sentando na praça, dando veneno para os pombos, não ali, naquele inferno tropical em mar aberto. Os dois saem da cabina e começam a vagar pelos corredores, a procura do refeitório. Mas não conseguem encontrar, pois não entendem as placas, que estão todas em Inglês. Os joelhos de Frankel começam a doer, desacostumados a tanto exercício.
- Gruber, estou cansado. Vamos voltar para a cabina, está quente demais aqui.
- Não, agora estou com fome. Vamos pedir informações. Alguém aqui nesse barco horrível deve saber onde é que se come. Os dois continuam vagando por mais meia hora, sem enxergar nem sombra de qualquer tripulante. Frankel reclama tanto que Gruber resolve parar para descansar. Os dois sentam-se no chão do imenso corredor e amaldiçoam a própria sorte.

- Se não fosse por você não estaríamos aqui nesse calor, com fome e totalmente perdidos Gruber também sente falta da paisagem desolada de Ogden
- Minha culpa? Foi você que se derreteu todo quando Isabelle sugeriu que nós fossemos nesse maldito cruzeiro. "Boa idéia Isabelle, vai ser ótimo". Eu fui contra desde o começo.
- É, eu lembro como você foi contra. Você estava na UTI, tão fudido que só fazia babar, era um oceano de baba, que molhava tudo, o lençol, a roupa, o travesseiro. Deu até curto no pulmão artificial, de tanta baba. E não era só isso não, porquê você estava tão chapado por causa da medicação, que quando Isabelle sugeriu o cruzeiro você respondeu que a média de vida do pombo europeu é de oito meses, não um ano.
- Você é um insensível. Eu quase morri e você fica aí falando de baba, e pombos.
- Eu, insensível? Foi você que disse que achava Van Gogh um retardado louco e meio aboiolado.
- Eu não disse isso. Eu disse que Van Gogh era louco e meio aboiolado.
- Disse sim, e eu tenho provas. Isabelle estava lá quando você soltou esse peido cerebral.
- Hahahahaahah.....Peido cerebral...Nem meus netos falam isso.
- Claro, seus netos estão todos com seis anos de idade e ainda se comunicam na base do grunhido.
- Pelo menos eles se comunicam. Os seus netos são tão burros que os pesquisadores já estão começando a falar em regressão da evolução.
- "Regressão da evolução", que coisa mais imbecil! De onde você tirou isso?
- Foi seu filho que me falou.
- Meu filho nunca falaria uma idiotice dessas.
- Ah é, esqueci que ele agora só fala em "revolução sexual". Olha Gruber, me desculpe, mas esse negócio de ficar falando em "terceiro sexo", "liberdade sexual", bissexualismo na Grécia antiga... Sei não, acho que o seu filho tá querendo liberar o roskof...
- Meu filho é um pesquisador respeitadíssimo nos círculos acadêmicos. Ele é um dos professores titulares da Universidade de Ogden. E mesmo que ele se tornasse homossexual, eu o apoiaria na sua decisão. - Gruber encerra triunfante.
- Ora Gruber, por favor, só dessa vez, vamos esquecer as brigas. Estamos aqui nesse cruzeiro horrível, e onde estão as loiras peitudas?
- Que loiras peitudas?
Nesse exato instante, um batalhão de loiras peitudas gritando "JACK? Oh JACK?" passa rapidamente por um corredor transversal. Mancando, eles as seguem até que chegam em uma pequena sala de jogos, completamente escura. Nem sinal das loiras peitudas. Uma sombra alta e forte se aproxima dos dois. A voz é um grunhido poderoso:
- Eu sou DICKMAN.


Continua em "Dickman e os Velhos Suíços"...

OGDENZINE #8

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