Tanto amor quanto é possível
É por te amar tanto que te odeio, sua vagabunda. Enquanto tento dormir e sua imagem não me saí da consciência, desejo sua morte acima de tudo, anseio que apodreça aos poucos, devagar, a idade destruindo sua beleza, a flacidez inevitável atingindo o corpo que ainda desejo, solitário. Nem no sono eu encontro conforto, mas isso é óbvio, quem encontra conforto no sono? Estás escondida nos grotões da minha alma, e vens atormentar meus sonhos e rir de mim, zombando do meu amor. Por sua causa me masturbo com freqüência, pois sinto falta do aroma quente da sua buceta. Toda vez que gozo, imagino estar ejaculando é na sua cara, formo com satisfação uma imagem mental dos seus cílios, das suas sobrancelhas, da sua boca, tudo melado de porra, e o pensamento tanto atenua quanto me diverte, aumentando o meu prazer. A qualquer hora do dia vens me atormentar. Imagino-a com o ciúme avermelhando minha visão, fazendo sexo com vários homens, cada um deles suando em cima de você, espremendo-a com o peso de seus corpos. Gostaria de poder tê-la mais uma vez, só para poder estuprá-la com violência, esmurrando a sua linda face e arrebentando seu ânus com uma garrafa de Vodca. Me fizeste sofrer, sua rameira, tanto que houve noites nas quais acordei, febril, a procura de um objeto afiado com o que me cortar e deixar meu corpo sangrando, olhava os coágulos se formarem só para distrair minha mente atribulada. Tantas foram as lágrimas que derramei sobre as cartas que me mandaste, que as letras se tornaram manchas, as palavras borrões e os papéis, pedaços sujos de papel higiênico. Incontáveis vezes eu a quis de novo, a quis para ama-la para todo o sempre. Inutilmente eu prossigo minha vida, enquanto és feliz, vagabunda desgraçada que me destruiu. Gostaria de sofrer de amnésia, para não mais lembrar da boca que tanto beijei, dos olhos que fitei tantas vezes, apaixonado, cego de amor. Ultimamente o meu único desejo tem sido o de viver, de esperar que tu envelheças para poder ir até ti, e rir das suas rugas, dos seus peitos caídos, dos cabelos brancos e rasos, da sua buceta inerte. Só assim serei feliz. INÉDITO |