Paulino


- 1 -

Eliminando a segurança em que se encontrava, saiu de casa. Para ele sair de casa era uma experiência dolorosa. Achava os poetas uns idiotas. Pensava nisso o tempo todo. Eles, com suas frases melosas, tentavam definir a essência do amor.

A essência do amor era sofrimento. Agora ele compreendia. Eram como amigos inseparáveis, que mesmo sendo pessoas opostas, sentem-se atraídos um pelo outro. Um dia de sol trazia sensações e lembranças desagradáveis, duras, que transformavam sua consciência em uma caixa cheia de sinos histéricos. Olhar para as mulheres na rua causava um aviltamento sem precedentes para ele. Baixas, altas, gordas, feias, bonitas ou magras, elas haviam passado a lhe amedrontar.

Havia amado humanamente, como todas as criaturas amam. Mas não conseguia suportar a dor, a ressaca. A separação não lhe era tão horrível, mas uma vasta gama de sentimentos o assustava. A rejeição, o abandono e a solidão eram insuportáveis. Como uma síndrome de abstinência, sofria com a retirada radical de suas doses de amor e sexo. "Como drogas", ele comparou. Enquanto pensava nisso, andava pela rua olhando para a calçada. Tinha saído para comprar o jornal e cigarros. Levantou os olhos derrepente e enxergou um conhecido. Caminhando na direção oposta, no final da rua, vinha João. Costumava pensar em João como o homem dos olhos misteriosos. Toda vez que fazia alguma coisa fora do comum, seus olhos mudavam, ficavam estranhos. Ele lembrava de uma vez em que João tirara a roupa no meio da rua, às três da tarde, em protesto contra alguma coisa. Os olhos dele parecia até que tinham mudado de cor. João o enxergou vindo pelo outro extremo da rua e acenou. Chegou perto dele sorrindo.
- E aí cara, como é que está? Acabei de te ligar. Vamos alí na casa de Venâncio. Você tava fazendo alguma coisa?
- Não. Vamos. - Disse Paulino. Os dois começaram a andar juntos em direção à casa do amigo. Com um pouco de esforço Paulino ocultava seu inferninho interior. Para se distrair pensava em João e Venâncio, seus melhores amigos. Eles pareciam estar tão felizes, e talvez ele também parecesse feliz antes de tudo acontecer. Mas como, ele pensava, podiam eles ser tão ingênuos? Uma coisa tão poderosa e horrível como o amor devia causar pressentimentos de medo nas pessoas, mas não, causava apenas excitação. Seus dois amigos ainda não estavam manchados pelas dores do amor. Era como se tivessem a permissão provisória para serem felizes. Algum dia, no entanto, o amor se viraria contra eles, e tomaria deles as suas ilusões de felicidade. Por enquanto não podia nem contar a eles como se sentia, pois eles não entenderiam.

No instante em que começava a pensar nos amigos como bobos alegres, apareceu na esquina da rua um gol vermelho. Paulino ficou chocado com a semelhança do carro. Tinha inclusive o mesmo adesivo, no fundo, do Bahia. Através da chaparia, do plástico e dos vidros, enxergou algo mais. Ele viu suas lembranças mais amadas e dolorosas refletidas no automóvel. Ele as tinha organizado de forma que ficassem enterradas em equilíbrio na sua mente. Paulino as queria disponíveis para quando desejasse contempla-las, mas não tão a tona que pudessem surgir do nada, sem que ele estendesse a mão e as retirasse do exílio. Mas aquele carro tinha feito com que as coisas pulassem aos borbotões para o seu nível de consciência mais superficial. Sentiu-se tão amedrontado que começou a entrar em pânico. Um segundo depois, Paulino vomitou em dois longos espasmos. O líquido era amargo, e travava os dentes. João tentava o amparar, confuso.
- Você está bem? Quer voltar pra casa?
- Não, eu estou bem. Acho que comi demais no café. Me dá um cigarro. Vamos. - Respondeu Paulino. Cuspindo fora os últimos restos de vômito que estavam em sua garganta, acendeu o cigarro. "Porra", ele pensou. "Que coincidência horrível. Bem, agora não adianta reclamar". Era tarde demais. O mal estava feito. Agora podia se lembrar de tudo. Ela tinha um carro igual. Um gol do ano. Começou a lembrar de tanta coisa que achou que fosse enlouquecer. Lembrou das vezes que tinham feito sexo naquele carro. Os vidros embaçados e o cheiro de sexo no ar. O sexo tinha um cheiro que causava convulsões de dor em sua virilha e estômago cada vez que se lembrava. "Será que o amor tem um cheiro?" Ele começou a divagar: "Deve ser um cheiro estranho mas ao mesmo tempo familiar. Uma mistura de aromas opostos ou então parecidos. Para as crianças talvez tenha um cheiro de leite materno e loção de barba. Para os adolescentes cheiraria como sexo e hormônios convulsivos".

Agora se sentia melhor, depois de distrair-se com sua pequena associação aromática. Felizmente, as lembranças tinham voltado para o exílio. João, seu amigo, falava sem parar. Estava alegre e animado com alguma coisa que Paulino não conseguia decifrar. Contava uma estória, de maneira bem teatral, como que procurando diverti-lo. Paulino fingia que estava achando engraçado. Estava mais interessado em si mesmo do que em qualquer outra estória banal.
- Bem, aí o cara me disse que não tinha mais nada, que eu tinha chegado tarde e coisa e tal. Fiquei puto, né? Resolvi ir pra casa. Mas então aconteceu a coisa mais louca do mundo no caminho. Eu estava já pra entrar na minha rua quando eu enxerguei um pacote marrom no chão da calçada. Esse aqui. - Tirou um pacote de dentro da calça. Era uma embalagem de papelão, fechada com barbante, do tamanho de uma barra de chocolate das grandes. - Quando eu abri, tava cheio da melhor maconha que eu já vi em minha vida. Verdinha, bem cheirosa mesmo. Eu quase não acreditei.- João parou de repente. Pareceu notar finalmente a falta de entusiasmo de Paulino.
- O que você tem Paulino? Porra meu irmão, essa sua cara tá uma bosta. É a Flávia é? Se for, pode falar, você sabe que comigo não tem essa. - João olhou para Paulino com seus olhos pacientes característicos.
- É por causa dela sim. Mas não vamos falar disso. Agora eu quero é me entorpecer. Esquecer toda a merda para não enlouquecer.

Paulino estava com olheiras profundas, o cabelo desalinhado. Usava a mesma roupa há quatro dias, por pura nostalgia. Usava essa mesma roupa quando Flávia o deixou. Como um clichê de sofrimento, era uma imagem pintada com cores confusas dos malefícios do amor. Tinha começado a achar ultimamente que as ironias da vida eram na verdade sarcasmos embrutecidos pelo cotidiano. Eles representavam as pequenas e grandes dores do dia a dia. Considerava o fato de que a vida, pateticamente, entregava oportunidades medíocres e cobrava resultados excepcionais. Quem não conseguia preencher as suas expectativas ( da vida e as suas próprias também) estava fadado a ser um fodido infeliz. Depois de ter pensando em todas essas coisas, Paulino chorou. Sem vergonha ou inibição de qualquer tipo. No meio da rua, às nove horas da manhã. Ele ofertava suas lagrimas para todos que quisessem, mas ninguém aceitava. Nem João. Ele nem podia compreender, quanto mais compartilhar do seu sofrimento pessoal.
- Olha aqui Paulino, se você quiser a gente volta pra casa. Mas eu acho que o melhor a fazer nestes momentos é se distrair. Vamos lá, vamos continuar. - Ao ouvir isso, Paulino enxugou as lágrimas e se forçou a parar de chorar:
- Então está bem. Vamos continuar. - Recomeçou a caminhada.

- 2 -

Quinze minutos depois chegaram ao edifício de Venâncio. O caminho inteiro os dois tinham permanecido calados. Ele os recebeu à sua casa de maneira efusiva. Alegremente, convidou-os a entrar e ofereceu água. Paulino ainda tinha o gosto de vômito na boca. Aceitou a água. Depois de beber o primeiro gole, achou que nunca tinha bebido uma água tão doce. " Água do filtro? " Perguntou Paulino a Venâncio:
- É . Todo mundo comenta que a água daqui tem um gosto estranho.
- Não, na verdade ela até que é boa. - Paulino olhou para o copo e depois olhou para Venâncio. - Talvez eu esteja errado. Talvez ela tenha um gosto estranho mesmo. - Colocou o copo em cima da pia. - Talvez eu seja tão estranho quanto a água.

Venâncio riu. Paulino achou doentio o modo como as pessoas riam de tudo, como se todas as coisas ditas ou feitas fossem engraçadas. Sentiu vontade de mandar Venâncio calar a boca, de dizer que não havia nada de engraçado naquilo, mas um segundo depois chegou à conclusão de que agiria de maneira ridícula. Era lógico que ele não podia compreender. Estaria cometendo uma grosseria inútil.

Enquanto isso, no quarto, João terminava de fechar o primeiro baseado. Acendeu e deu a primeira tragada. Neste momento, Paulino entrou no quarto. Gostava de observar as pessoas quando fumavam. Fosse o que fosse, era sempre interessante enxergar a maneira como elas agiam enquanto fumavam. A maconha ainda oferecia o atrativo especial de ser um ato à parte, com toda a sua mística de droga ilegal. A maneira como tossiam e conversavam, ou como lentamente os espíritos iam se levantando, e as risadas tornavam-se mais fáceis de sair.Enquanto aguardava a sua vez, Paulino se entretia observando.

Paulino irritou-se. Parecia que a droga não estava fazendo efeito. Não estava rindo tanto quanto os outros, nem falando tanto. Apenas sentia-se mais pesado e mais confuso que antes. Nervoso, recusou-se a fumar mais. Limitou-se a sentar numa cadeira e olhar a decoração. Eram dez da manhã, e o sol entrava paciente pelas janelas. Formava sombras na parede, quando encontrava com a fumaça esverdeada da droga. Nas paredes ele via quadros, nas estantes ele via livros, mas verdadeiramente ele não enxergava nada. Estava todo voltado para si mesmo. Nem notou quando os dois amigos decidiram sair para uma volta. Apenas seguiu os dois. Quando eles entraram no carro, ele entrou também. Seu cérebro tinha passado a tomar todas as decisões. Paulino se recolhia dentro da sua consciência.

O presente se fundia com o passado, para segundos depois, os dois serem esquecidos. Em um segundo ele se enxergava abraçando Flávia, num casal na rua. No segundo após o surgimento deste pensamento em sua cabeça, o esquecia. Outra coisa surgia na sua frente e o puxava de um instante para o outro. Nem notou quando Venâncio parou o carro. Havia fumaça saindo do capô. Aparentemente o carro tinha fervido, no sol escaldante. Venâncio saiu do veículo e disse para os dois:
- Bem, é melhor a gente sair e dar uma volta. Daqui a pouco o carro esfria. Vamos lá comer alguma coisa. - Ao ouvir a palavra "comida" , João saltou do carro imediatamente. Paulino o seguiu. Caminhavam agora os três pela rua. Venâncio e João falavam sem parar. Paulino apenas ouvia. Pararam em uma barraca alguns metros distante de onde tinham deixado o carro. Venãncio e João pediram cachorros - quentes. Paulino sentou no meio fio e ficou quieto. Então aconteceu. Ela surgiu do outro lado da rua. Estava linda, radiante. Usava um vestido vermelho claro e o cabelo solto. Carregava nas mãos cadernos. No ombro direito, carregava uma bolsa. Tinha no rosto o que Paulino achou ser uma máscara. Ele não conseguia acreditar que ela pudesse aparentar tanta alegria enquanto ele estava em pedaços. Só podia ser uma máscara.

Paulino começou a ficar nervoso, quando notou que ela estava caminhando para o seu lado da rua. Quando realmente teve certeza de que ela iria atravessar, sentiu descer pelo corpo, da cabeça aos pés, uma onda de frio e calor misturados. Os pelos de sua nuca arrepiaram. Ela parou, olhou para os dois lados, e atravessou. Andou diretamente na sua direção. Ele não soube o que fazer. Ela estava vindo direto para ele. Alguém com quem ele não tinha a força nem de olhar nos olhos. Calmamente, ela atravessou a rua. Pareceu não nota-lo até o último instante, quando era tarde demais. Quando ela terminou de atravessar a rua, olhou para a frente e o viu. Paulino notou uma sombra passar pelos seus olhos verde - claros. Ela tentou ignora-lo, mas o mal já havia sido feito. Ambos estavam conscientes da presença um do outro. Ela seguiu seu caminho até o ponto de ônibus, sem olhar para trás. Paulino a seguiu com os olhos, paralisado.

A boca tinha ficado seca, e as coisas começaram a parecer confusas demais. Mas ele não conseguia perde-la de vista, tirar os olhos daquela visão ao mesmo tempo boa e perturbadora. Ela chegou ao ponto, alguns metros depois da barraca, e parou ali encarando o chão. Tentava não olhar para Paulino, que continuava sentado no meio fio, a admira-la. Silenciosamente, uma lágrima desceu pelo rosto dela. Paulino sentiu aquela lágrima. Podia imaginar seu sabor. Sua boca ficou amarga com a lembrança do gosto da boca dela. Paulino se levantou, desorientado, e andou na direção de Flávia. Ela notou que ele estava se aproximando e esquivou -se , virando o rosto para o outro lado. Nisto, o seu ônibus despontou na esquina. Quando pelo canto do olho ela tentou enxerga-lo, deu com Paulino parado, a um metro de distância, a encarando. Flávia levantou a face e postou-se diante dele. E pela primeira vez, olhou nos olhos dele e notou a sombra. Mais duas lágrimas começaram a descer. Ligeiramente desesperada, ela fez sinal para o coletivo. Paulino estava em silêncio. Nada saía de sua boca. Mesmo o som da própria respiração parecia demais. Decidiu prender a respiração.

Os dois sabiam que alguém deveria falar qualquer coisa. O ônibus chegou, e os dois ainda estavam em silêncio. Até que ela falou, e sua voz era como um gemido de dor:
- Não, por favor. Não. - E foi só isso. Flávia virou o rosto e entrou no ônibus. Não mais ela dirigiu o olhar para Paulino.

Eram dez e meia da manhã, e Paulino tentava assimilar os diversos significados que aquelas palavras representavam. Com seus olhos vermelhos, permaneceu parado. Num ponto de ônibus comum, onde centenas de pessoas diariamente largavam parte de seus medos e preocupações em pequenas porções, quando faziam as pequenas meditações do dia-a-dia. O amor tinha diversas formas de expressão, pensava ele. Mas nem todas eram maravilhosas, plenas e faziam bem. Muitas eram malignas ao ponto da destruição. Era disso que consistia a ambigüidade doentia do sentimento, que levava à dor, sempre.

João tocou no seu ombro. Ele sabia do encontro. Haviam permanecido, os dois, João e Venâncio, inertes durante todo o acontecido. Limitaram-se a assistir.
- Paulino, você quer comer alguma coisa? O cachorro daqui até que tá bom.
- Hein? - Paulino olhou para João como se ele fosse um estranho. João repetiu a pergunta, pacientemente. Paulino não se dignou a responder à pergunta. A considerava de uma falta de sensibilidade aterradora. Determinado, empurrou o amigo para o lado e saiu em busca de redenção.

- 3 -

Começou a caminhar na direção que o ônibus de Flávia tinha tomado. João olhou para trás e viu Venâncio se aproximando, com um ponto de interrogação enorme estampado no rosto. Começaram os dois a seguirem Paulino. Apressaram um pouco o passo e alcançaram o amigo. João perguntou aonde ele estava indo.
- Atrás dela. Não é justo que isso seja tudo que ela tenha a me dizer.
- Olha aqui Paulino, é melhor você deixar as coisas como estão. Vamos voltar para o carro. - Venâncio era frio e direto.
- Não. Tem um engarrafamento logo ali na frente, o ônibus dela deve estar parado.
- Fique aqui, vai ser melhor para você. - João tentava acalmar a situação.
- Escuta aqui, vocês dois não fazem a menor idéia do que estou passando. Não posso suportar isso, é demais. Eu quero ela. - Gritou Paulino.

Já tinham andando o suficiente para enxergar o ônibus parado, no meio de um pequeno engarrafamento. Paulino começou a correr. Venâncio e João correram atrás, tentando para-lo. Mas Paulino foi mais rápido e chegou até o ônibus. Começou a gritar o nome dela, tentando enxerga-la dentro do coletivo. Inutilmente, pois parecia que ela estava escondida dele no chão do ônibus. Não conseguia ver de jeito nenhum. Baixou os olhos e deixou as lágrimas descerem. Paulino estava prostrado de dor. João sentou ao seu lado e permaneceu silencioso.

Mas, por um segundo, Paulino pode vê-la. Estava sentada numa cadeira logo ao lado do cobrador, escondida atrás da catraca. Paulino levantou-se no mesmo instante e procurou enxergar melhor. No afã de tentar ver, ignorou os obstáculos da calçada. Pisou em falso e caiu de frente no chão. Mas nem isso o parou. Levantou no mesmo instante e , cambaleante, tentou seguir o ônibus que começava a se movimentar de novo, agora rápido. Com o nariz partido e um arranhão na maçã do rosto, tonto pelo choque e desorientado pelo seu próprio sofrimento, Paulino desistiu de andar, deixando-se desmoronar na calçada. As lágrimas misturavam-se com o sangue, e desciam até a boca.

João pegou sua camisa e estancou o sangue da ferida no nariz do amigo. Segurou fortemente a cabeça de Paulino. Como criança machucada, ele se entregou aos cuidados do amigo. João sabia que não deveria dizer nada. Venâncio também se aproximou e passou a mão sobre o rosto de Paulino.

Os três, dois ignorantes da vida e do sentimento, e um que recebia a sua pitada de vingança do amor. " Ele dá, e ele tira." Pensou Paulino, como se tivesse referindo a Deus. Mas ele não tinha fé. Seu deus era o amor e a ira divina agora o destruía. Na rua, as pessoas passavam e encaravam com curiosidade. Outros riam. Paulino não parava de pensar na insensibilidade daqueles seres. "Como podem?", pensava ele. Mas eles podiam, e como podiam. Usavam dessa mesma insensibilidade para seguirem com suas vidas. Usavam-na como um narcótico. Alheias primeiro ao sofrimento dos outros, e depois para o próprio. Nenhum dos três queria ser assim, e por isso choravam juntos. "O amor é uma coisa podre, um barroco." Mas Paulino mal podia esperar para poder amar de novo. Sem saber, ele o sentia. O amor estava entranhado dentro dele, bem profundamente. O amor o devorava. Cuspia ódio e o tornava frágil. E é assim que sempre foi e sempre será. "Todos devem então se entregar para esse pequeno ritual de auto - destruição. Pelo bem da espécie" . Paulino passou a se sentir um pouco melhor depois de ter pensado nisso. Outros iriam sofrer.

OGDENZINE #20, 21, 22

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