Expedição Costa Norte
Piauí!!!
Dia 7 - Camocim - Praia do Coqueiro (Luiz Correa)
114,72 km
Acabamos perdendo a hora e acordamos às 6:50 mas, como a previsão era pedalar só 50 km, não nos preocupamos. Fomos tomar café e, às 8:40 estávamos saindo. Pegamos o asfalto e vimos que a paisagem começava a mudar. Talvez porque estivéssemos indo mais para leste, talvez porque estivéssemos indo mais para o interior. O número de coqueiros e de cajueiros diminuíram e as carnaubeiras aumentaram. A vegetação ficou um pouco mais seca. O venta era meio de lado e, portanto nossa velocidade estava um pouco mais baixa. De qualquer jeito chegamos rapidamente em Barroquinha. Compramos água. Neste lugar nos informamos sobre Chaval, nosso destino, e descobrimos que lá teria hotel. Doce ilusão... Seguimos então para Chaval. Chegando lá procuramos o tal hotel e encontramos um prédio caindo aos pedaços. Descobrimos, então que lá não era mais um hotel e sim um tipo de posto de saúde. Descobrimos também que ali não havia nenhum hotel ou pousada. Tinha um tipo de pensão. A dona de um restaurante alugaria um quarto se pedíssemos. Fomos até lá e demos de cara com uma construção não terminada, sem portas nem janelas e no reboco! Pegamos nossos mapas e vimos que nossa opção seria pedalar até Luis Correa. Seriam mais ou menos 50 km. Como ainda eram 12:30 e as opções da cidade não agradaram resolvemos seguir. A cidade era também um pouco esquisita... Na padaria não queriam nos atender e, por onde andávamos nos olhavam de um jeito muito mais estranho que o normal. Comemos e saímos de Chaval às 13:00. No começo foi um pedal silencioso, meio apreensivo e com vento de lado. Logo passamos a divisa dos Estados do Piauí e Ceará. Deixar o Ceará para trás deu uma dor no coração. O litoral do Ceará é simplesmente maravilhoso e o povo foi muito solidário conosco. Se acabasse ali, a viagem já teria valido muito a pena. Mas, ainda bem que não estava acabando e que tínhamos muita coisa legal pela frente! Com 110 quilômetros rodados chegamos à Praia do Coqueiro. O lugar era muito bonito, com muitas dunas e casas bem legais. Era fim de tarde e fomos procurar um lugar para ficar. O hotel que constava do guia estava fechado. Fora de temporada ele só abre de fim de semana. Seguimos para o centro e fomos para outro hotel que também parecia fechado. Admito que ficamos meio desesperados. É claro que sempre existe a opção de acampar na beira da praia, mas nós preferimos, sempre que possível, evitar essa opção por questões de segurança (e de conforto também, é claro). Neste monento descobrimos que a dona do hotel era também diretora da escola da cidade e que chegaria às 6:00 da tarde. Fomos, então comer no restaurante do Dede. Jantamos muito bem e batemos um ótimo papo com o Sr. Dede sobre as coisas de nosso país, de nosso Nordeste, de nossa gente. Quando eram 8:00 (estávamos muito cansados), fomos comprar a famosa Cajuína do Piauí e fomos para o hotel. Experimentamos a tal Cajuína e fomos dormir. Acampados novamente devido a uma invasão de baratas. Argh!! Ah! A cajuína é um suco de caju que é cozido dentro da garrafa. O Oswaldo gostou e eu achei muito doce.
Dia 8 - Praia do Coqueiro (Luiz Correa) - Parnaíba
28,88 km
Depois de uma noite mal dormida, acordamos às 6:30, tomamos café e, saímos às 8:00. Eu estava bem cansada por causa do dia anterior, mas chegamos a Luiz Correa (a cidade propriamente dita) rapidamente. Neste trecho descobrimos que havia outros hotéis no caminho. Luiz Correa já tem cara de uma cidade maior. Lá encontramos os primeiros bikers treinando e as primeiras bikes com suspensão. Passamos por Luis Correa e, antes das 10:00 já estávamos chegando a Parnaíba, que é uma cidade muito maior do que as outras que havíamos passado. Fomos direto par o Porto das Barcas nos encontrar com o pessoal das Agências Morais Brito e Eco Adventure. Essas foram as agências que contatamos aqui de Jundiaí. Com o pessoal da Morais Brito acertamos de remar pelo Delta do Parnaíba no dia seguinte com caiaques. Infelizmente nossa idéia de remar até Carnaubeiras não deu certo e nossa remada teria que começar e terminar em Parnaíba. Com a Eco Adventure conseguimos a indicação e o telefone de um guia para atravessar conosco os Lençóis Maranhenses. Fomos para o hotel, descansamos um pouco e fomos almoçar. Depois do almoço, lá fomos nós fazer nossa caminhada de reconhecimento. Como em todas as outras cidades e vilas quase tudo fecha perto das 12:00 até às 15:00. Nos informamos e descobrimos que é por causa do calor, que realmente é muito forte. Descansamos à tarde, jantamos e fomos dormir. Estávamos cansados...
Dia 9 - Parnaíba
15 a 20 km de remo
Acordamos um pouco tarde e, como combinado, às 8:30 em frente à Morais Brito.Conhecemos Cláudio Renio, o guia que iria remar conosco pelo Delta e o Sr. Olívio, o dono dos caiaques. Fomos no carro do Sr. Olívio até um igarapé na Ilha Grande de Sta. Isabel e, às 9:45 estávamos na água começando nossa remada. O Sol estava muito forte. Ainda bem que a maior parte do nosso corpo estava protegida. Aliás, o que não estava ficou muito queimado e deu o maior trabalho à noite. Fomos remando em direção ao mar de início pelo Parnaíba que tem uma vegetação variada em sua margem. O rio é bem agitado nas áreas mais abertas. Entramos em um igarapé e depois em outro menor. Neste caminho vimos várias aves e uma rica vegetação. Chegando próximo à nascente do Igarapé, o leito foi ficando mais estreito e a passagem cada vez mais difícil. O que dificultava mais era a quantidade de árvores cortadas que há no fundo e que seguram o barco. Essas árvores são, infelizmente, cortadas por fazendeiros da região que o fazem sem permissão. Nesse igarapé vimos um macaco guariba bem grande (foi uma sorte) e muitos macacos prego. Eles passavam pelas nossas cabeças pulando de uma árvore para outra. Eles pareciam um pouco assustados pois, no momento que estávamos lá, havia alguns caras cortando algumas árvores!! É importante lembrar que essa região é uma APA (área de proteção ambiental). Na volta fizemos um caminho um pouco diferente e cruzamos o rio Parnaíba numa parte que tinha bastante vento. O rio mexia muito e jogava a gente para um outro lado. Foi super divertido e desafiante. Paramos no Morro Branco, tomamos um refrescante banho de rio e começamos a voltar. O Sr. Olívio nos pegou e levou de volta para o Porto das Barcas. Nessa viagem de volta descobrimos, conversando com o Cláudio que seria possível fazer o que havíamos planejado, se tivéssemos entrado em contato com ele antes. Para nós não foi possível, mas fica a dica. Almoçamos, passamos na farmácia para comprar mais remédio para queimaduras de sol e voltamos para o hotel. Nessa noite ligamos para Barreirinhas para falar com o guia dos Lençóis e acertar a travessia. Falamos com a Kimico da agência Free Way de Barreirinha. Ele foi extremamente atenciosa e prestativa. Acertamos com ela como nossas bicicletas seriam transportadas de um lado a outro dos Lençóis. Aliás, ela se ofereceu. É a solidariedade do Nordeste. Fomos dormir mais tranqüilos em relação à nossa travessia. Estávamos deixando para trás mais uma etapa de nossa aventura, ainda com a sensação de que tudo estava passando muito rápido.