Primeira
Parte_____________{
O Projeto-Plataforma
"Desenvolvimento
Metodológico em Exploração Mineral para a Amazônia - EXMIN/AMAZÔNIA"
- Proposta e
Informações Preliminares -
I -
Informações Institucionais da Agência Coordenadora - ADIMB
A Agência para o
Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira - ADIMB, criada por
iniciativa conjunta do Ministério de Minas e Energia - MME e do Ministério de Ciência e
Tecnologia - MCT, foi fundada em 09 de julho de 1996 como uma associação privada de
empresas/instituições de mineração, sem capital acionário e sem fins lucrativos. A
ADIMB tem como missão promover o desenvolvimento técnico-científico e a capacitação
de recursos humanos da Indústria Mineral Brasileira mediante a realização de projetos
cooperativos em parceria empresa/governo/universidades. A ADIMB inaugurou um novo modelo
de cooperação entre o setor produtivo, a comunidade acadêmica e os organismos
governamentais, visando o melhor conhecimento do patrimônio mineral do país e melhor
aplicar os recursos públicos e privados em projetos que tragam benefícios econômicos e
sociais para a nação. São objetivos da ADIMB:
- Modernizar e aumentar a
competitividade da Indústria Mineral Brasileira em todas as suas etapas: exploração,
mineração, beneficiamento, industrialização e comercialização.
- Identificar as necessidades de
P&D e RH de interesse das empresas e instituições Membros.
- Definir, com os patrocinadores,
projetos de pesquisa científica industrial e de capacitação de recursos humanos.
- Levantar fundos para projetos junto
às instituições governamentais financiadoras de pesquisa técnico-científica, aos
órgãos de governo e às companhias Membros neles interessadas.
- Fazer a intermediação entre a
Indústria Mineral, os órgãos governamentais de apoio à Pesquisa e Desenvolvimento -
P&D e Recursos Humanos - RH, as instituições de pesquisa, de ensino superior e as
empresas prestadoras de serviços técnico-científicos.
- Contratar grupos de excelência no
país ou exterior para a execução dos projetos, monitorá-los, zelar pelo cumprimento
das metas e garantir que os benefícios resultantes tenham aplicações no setor
produtivo.
São Membros Natos
da ADIMB o Ministério de Minas e Energia - MME, o Ministério de Ciência e Tecnologia -
MCT e o Instituto Brasileiro de Mineração - IBRAM. Os membros associados compreendem
empresas e instituições do setor mineral, a saber: Departamento Nacional da Produção
Mineral (DNPM), Rio Doce Geologia e Mineração S.A. (DOCEGEO), Companhia Baiana de
Pesquisa Mineral (CBPM), Rio Tinto Brasil - RTB, GEOSOL - Geologia e Sondagens Ltda.,
SOPEMI - Pesquisa e Exploração de Minérios S.A., Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais (CPRM), CGG-GEOMAG Ltda., GEOS - Geologia para Mineração Ltda., Companhia
Mineradora de Minas Gerais (COMIG), Arantes & Associados - Consultoria e Serviços de
Mineração Ltda., Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado do Pará
(SEICOM/PA), Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRÁS, LASA Engenharia e Prospecções S.A.,
Iamgold do Brasil Ltda., Mineração Mount Isa do Brasil Ltda., COMINCO American Inc., WMC
Mineração Ltda., NORANDA Mineração Ltda., Phelps Dodge do Brasil Mineração Ltda.,
Mineração Serra do Sossego S.A., ANGLOGOLD Brasil Ltda. e Anglo American Ltda.
II - Metas Gerais
da Plataforma
A Plataforma
"Desenvolvimento Metodológico em Exploração Mineral para a Amazônia" visa a
definição e equacionamento em conjunto - governo, universidades e empresas - de ações
e projetos cooperativos e/ou integrados, de levantamentos básicos e de metodologias de
exploração mineral e de hidrocarbonetos apropriados para a Região Amazônica. Com esta
meta, promoverá um amplo debate com aporte acadêmico, empresarial e governamental, no
sentido de diagnosticar as deficiências e definir as necessidades de Pesquisa e
Desenvolvimento- P&D na Amazônia. O estudo abordará sete enfoques técnicos
básicos: Geotectônica e Metalogenia, Sensoriamento Remoto, Aerogeofísica, Geofísica
Profunda, Geoquímica de Lateritas, Estudos de Janelas Estratégicas e Intercâmbio
Tecnológico Mineração/Petróleo.
O planejamento
estratégico conjunto governo/empresa/universidade de projetos de pesquisa visa somar
conhecimentos e experiências teóricas e práticas, adequar metodologias de trabalho,
minimizar custos e, principalmente, propor projetos objetivos com aplicabilidade real e de
consequências sócio-econômicas para o país. Pretende-se fazer com que o conhecimento
acadêmico, somado ao pragmatismo e rígido controle econômico que move o espírito
empresarial, dê origem a propostas de desenvolvimento técnico-científico avançadas,
realistas e objetivas.
O objetivo final do
projeto proposto é contribuir para a expansão das fronteiras econômicas e para o
desenvolvimento sustentável da Amazônia, sob controle governamental, através da
ocupação pioneira dos espaços vazios por meio da mineração organizada.
Por meio das
jazidas e campos petrolíferos que vierem a ser descobertos na Amazônia, levar-se-á
infra-estrutura a regiões carentes e ínvias e criar-se-á pólos de alta capacitação
tecnológica com aeroporto, hospital, escolas, oficinas, comércio, segurança e estradas
locais, sem ônus para o governo. A difusão da mineração organizada na Amazônia, tendo
em vista seu caráter pontual e as exigências da legislação ambiental a que está
submetida, permitirá também a ocupação da região em harmonia com o meio ambiente.
A plataforma a ser
desenvolvida, ao levantar as necessidades objetivas de projetos de pesquisa, estudos e
levantamentos básicos necessários para incrementar o desenvolvimento da exploração
mineral na Região Amazônica, balizará para os órgãos de governo do MCT, do MMA e do
MME, para as universidades/institutos de pesquisa, e para as empresas, os projetos de
pesquisa e programas de levantamentos prioritários para o Setor Mineral na Região
Amazônica.
Os projetos de
pesquisa cooperativa e os projetos de levantamentos básicos resultantes das propostas da
Plataforma terão como objetivo final também reduzir a desvantagem competitiva
comparativa do Brasil (em especial da Amazônia) com relação a países como África do
Sul, Austrália, Canadá e Chile, fornecendo às empresas de exploração mineral
conhecimentos básicos e metodologias apropriadas para a Amazônia, viabilizando desta
forma o deslocamento de investimentos das empresas nacionais, internacionais e
transnacionais de mineração para a Amazônia.
Além de equacionar
a problemática relativa aos sete enfoques especificados, a proposta visa estabelecer
procedimentos a serem adotados no estudo detalhado em janelas estratégicas centradas em
jazidas conhecidas, as quais servirão de padrões calibrados que permitirão a varredura
regional em busca de depósitos similares. Sugere-se preliminarmente como janelas a serem
estudadas: No Amapá: Serra do Navio/Amapari (Manganês da Serra do Navio, Ouro do
Vale do Amapari); No Amazonas: Pitinga (Sn de Pitinga), Purus e Juruá
(Hidrocarbonetos), Maués (Ouro do Abacaxis); No Pará: Rio Tapajós (Ouro),
Carajás (Cu/Au de Igarapé Bahia), Serra Pelada (Ouro), Andorinhas (Ouro); No
Maranhão: Região de Gurupi (Ouro); Em Rondônia: Bom Futuro (Estanho); No
Mato Grosso: Juina (Diamante), Aripuanã (Ouro, Zinco do Expedito); No Tocantins:
Dianópolis/Porto Nacional (Ouro de Almas); Em Roraima: Serra do Catrimani.
Dentre as
principais providências a serem tomadas e os resultados específicos esperados da
Plataforma, torna-se importante destacar:
- Identificação das ações e
projetos de P&D e levantamentos básicos que se fazem necessários para promover o
desenvolvimento da exploração mineral na Região Amazônica.
- Definição de projetos que devam
ser executados prioritariamente nos sete enfoques.
- Para o enfoque Geotectônica e
Metalogenia, sugerir ações para realizar a re-interpretação geotectônica do
Craton Amazônico, visando definir e melhor caracterizar no espaço e no tempo os
ambientes tectônico-metalogenéticos (greenstone belts, arcos de ilha, arcos
magmáticos, vulcano-plutonismo cratônico, maciços básico-ultrabásicos acamadados,
sub-bacias, etc.) e seus potenciais para recursos minerais e energéticos. Definir metas,
projetos e acordos de cooperação nacionais e internacionais a serem induzidos no sentido
de realizar estudos para precisar as épocas e as províncias metalogenéticas maiores do
Craton Amazônico, bem como seus controles tectônicos.
- Para o enfoque Sensoriamento
Remoto, definição de parcerias e áreas-alvo para teste dos sensores mais
apropriados para a Amazônia. Traçar política de médio/longo prazo para assimilação e
adaptação de equipamentos e metodologias (laser, radar, geobotânica e outras).
- Para o enfoque Aerogeofísica,
definir estudos; determinar as limitações e consequentes adaptações que se fazem
necessárias aos equipamentos e sensores para operarem satisfatoriamente na Amazônia; e
sugerir adaptações e geração de softwares específicos para a região. Precisar
os estudos aerogeofísicos de detalhe que se fazem necessário, tanto regionalmente como
nas janelas/jazidas estratégicas, e formas de integrá-los com outros estudos.
- Para o enfoque Geofísica
Profunda, definir os equipamentos disponíveis e necessários (sismográficos,
magnetotelúricos e gravimétricos) para determinar a estrutura profunda da crosta; a
localizaçao das linhas transversais prioritárias e as associações possíveis
(governo/universidade/centro de pesquisa/empresa) para executar as pesquisas.
- Para o enfoque Geoquímica de
Lateritas, definir um projeto cooperativo, com o objetivo de caracterizar os
perfis lateríticos típicos da Região Amazônica e definir metodologia apropriada para
neles detectar depósitos minerais, através do estudo da evolução da paisagem e da
geoquímica exploratória. Sugerir acordos de cooperação nacionais e internacionais.
- Para o enfoque Janelas
Estratégicas, precisar as janelas sobre as quais deverão ser realizados no terreno
estudos geológicos, geomorfológicos, pedológicos, geoquímicos, botânicos e
petrofísicos, bem como os possíveis executores de projetos integrados e/ou cooperativos
julgados necessários.
- Para o enfoque Intercâmbio
Tecnológico Mineração/Petróleo, indicar métodos, equipamentos e programas usados
em um dos setores que possam ser adaptados ao outro.
- Elaboração de relatório síntese
contendo sugestões dos projetos integrados e/ou cooperativos e as
articulações/composições (governo/universidade/empresa) possíveis para executá-los.
III -
Caracterização do Problema e Justificativas
No Brasil, a
mineração tem historicamente sido responsável pelo processo de expansão das fronteiras
políticas e econômicas do país, ocupando pioneiramente os espaços vazios,
interiorizando o desenvolvimento, levando infra-estrutura a regiões carentes. Incrementar
a exploração mineral na Amazônia é, pois, uma das melhores maneiras de promover seu
desenvolvimento sustentável. Por outro lado, segundo o Plano Plurianual para o
Desenvolvimento do Setor Mineral elaborado pelo DNPM, a estagnação da exploração e da
produção mineral no Brasil projeta um quadro sombrio para o futuro do abastecimento do
país em bens minerais, devendo recorrer a importações cada vez maiores para manter sua
indústria de base ativa. O referido documento, que não abrange o setor petrolífero,
aponta que "para gerar-se reservas minerais necessárias ao atendimento da demanda
interna projetada até 2010 são necessários cerca de US$ 4 bilhões, apenas para
prospeção mineral. Os investimentos acumulados necessários para a produção mineral
projetada são da ordem de US$ 31 bilhões no mesmo período."
O Cráton
Amazônico, por sua natureza geológica, é altamente potencial para recursos minerais,
sendo considerado a última fronteira de porte para exploração mineral. Sua exploração
poderá reverter o quadro de dependência externa acima exposto. O grande potencial da
Amazônia e seu elevado grau de favorabilidade para a descoberta de depósitos minerais de
classe internacional é que colocam o Brasil hoje teoricamente como uma das nações
prioritárias para investimentos em exploração mineral. Estudos regionais realizados
pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM, selecionaram 17 distritos mineiros
principais com potencial para depósitos de grande porte na Amazônia.
Uma dádiva
particular da Amazônia, adicional ao potencial metalogenético primário, é a ação do
clima tropical sobre rochas fracamente mineralizadas. O processo intempérico, acelerado
pela constante presença de água, pelos ácidos orgânicos formados pela floresta e pelo
calor, leva à formação de espessos mantos de solo (até 300m) onde os minérios são
reconcentrados com teores altíssimos. Estes depósitos, por se formarem junto à
superfície e por terem como encaixante o solo, permitem mineração a céu aberto e com
baixo custo de lavra e beneficiamento. Daí a elevada lucratividade e competitividade dos
depósitos minerais da Amazônia. Exemplos marcantes são as minas de Ferro de Carajás,
Manganês do Amapá, Estanho de Pitinga e Bom Futuro, Bauxita de Trombetas e Caulim de
Paragominas.
A exploração
mineral é um empreendimento de longo tempo de maturação, elevado custo, alta tecnologia
e grande risco. Como consequência, na tentativa de minimizar riscos na escolha dos
países e locais onde investir em exploração mineral, as empresas levam em
consideração fortemente as vantagens comparativas, que no caso incluem a disponibilidade
de levantamentos básicos e de conhecimentos técnico-científicos e metodológicos
apropriados à região. Estes últimos são precários para regiões de floresta tropical,
vez que os métodos desenvolvidos para países de clima frio e/ou semi-desértico não
funcionam satisfatoriamente nestas.
Uma das principais
razões do grande sucesso do Canadá e da Austrália em exploração mineral foi terem
sabido gerar levantamentos básicos, equipamentos, métodos e modelagens apropriados às
suas condições geológicas e climáticas, razão pela qual atraíram quantidade
extraordinária de capital de risco para exploração e, consequentemente, estão entre os
líderes mundiais de produção mineral.
Portanto, não
obstante a elevada potencialidade da Amazônia para bens minerais, e a elevada
lucratividade e competitividade de inúmeros depósitos, a exploração mineral na região
ainda é temerária e extremamente onerosa, face a: a) infra-estrutura precaríssima
(energia, transporte, saúde, serviços, etc.), a qual tem que ser suprida pela empresa
que se dispuser a lá operar; b) enormes distâncias e dificuldades de acesso ao local, o
que exige o uso de aviões, helicópteros e dispêndio de muito tempo e muitos recursos;
c) inexistência de levantamentos básicos (topográficos, geológicos e geofísicos) em
escalas adequadas e de modelos exploratórios, capazes de subsidiar as empresas na
seleção de alvos para estudos; d) carência de equipamentos e métodos de exploração
mineral adequados ao ambiente tropical; e e) parcos conhecimentos técnico-científicos
sobre os controles das mineralizações.
Os três últimos
fatores negativos são de responsabilidade direta do Estado brasileiro e devem ser sanados
através de ações objetivas do MCT, do MME e do MMA.
IV - Métodos
Exploratórios na Amazônia
Promover a
exploração mineral organizada na Amazônia é, antes de tudo, viabilizar a ocupação
controlada e o desenvolvimento sustentável da região, como foi demonstrado pela Revista
Veja em sua edição especial sobre a Amazônia (Veja, Janeiro 1998). Isto resulta do fato
de que a mineração organizada possui caráter espacial restrito e está submetida a
rígidas normas legais.
Em vista da
vastidão da área e da enorme dificuldade de locomoção terrestre na Amazônia, a
estratégia de estudos técnico-científicos a serem realizados para incrementar a
exploração mineral na Amazônia deve ter forte componente no enfoque aéreo/orbital
(aerogeofísica e sensoriamento remoto). Adicionalmente devem ser executados no terreno
estudos da crosta profunda, de geoquímica de lateritas, de geologia em janelas
estratégicas, bem como estudos geotectônicos e metalogenéticos regionais e estudos
visando a geração e adaptação de métodos e equipamentos.
Os sensores aéreos
e orbitais têm evoluído muito nos últimos anos e se tornaram importantes ferramentas da
exploração mineral, sendo que o Brasil já possui uma considerável capacidade instalada
no uso e interpretação de imagens de satélites e de levantamentos aerogeofísicos. Os
equipamentos, as metodologias e os softwares existentes são pouco apropriados para
a Amazônia. Há que adaptá-los ou gerar novos, mais adequados e, principalmente, testar
suas aplicações em janelas estratégicas sobre os principais distritos mineiros. Nestas
o objetivo é determinar as respostas dos sensores remotos e da geofísica aérea e
correlacioná-las com os diferentes estruturas, tipos litológicos e de minérios.
Definir-se-ão, assim, assinaturas e padrões que possam ser usados, tanto no mapeamento
lito-estrutural como na detecção de outros depósitos de condicionamento
geológico/metalogenético similar às janelas estratégicas estudadas em detalhe.
Os grandes avanços
recentes da aerogeofísica, assim como o baixo custo relativo dos serviços, tornaram-na
instrumento fundamental na prospecção mineral. Para a região Amazônica a
aerogeofísica constitui-se em instrumento prioritário, permitindo rapidamente definir
anomalias na floresta tropical, como já demonstrado na região de Carajás e outras.
Os levantamentos
aerogeofísicos modernos de alta resolução empregam basicamente três métodos:
gamaespectométrico, magnético e eletromagnético. Embora com desempenhos excelentes em
regiões de clima temperado e semi-árido e nas regiões afastadas do Equador, os três
métodos apresentam fortes limitações em regiões equatoriais úmidas. Um quarto
método, o gravimétrico, começa também a ser usado em aerolevantamentos.
A Gamaespectometria
(canais de U, Th e K) na Amazônia detecta em geral somente o Th e K. Os minerais de K por
sofrerem alterações intempéricas dão registros no canal de K distintos daqueles de
regiões temperadas ou semi-áridas. O U, devido à sua elevada lixiviação em zonas
laterizadas, fornece valores muito baixos, dificultando sua detecção. O Th, em geral,
fornece anomalias residuais.
A Magnetometria
apresenta dificuldades de emprego na região do Eletrojato Equatorial, em ampla faixa de
mais de 200km a norte e a sul do Equador Magnético, onde os registros podem sofrer
deslocamentos quilométricos, dificultando por vezes a pesquisa mineral. Fazem-se, pois,
necessários estudos para melhor conhecer o Eletrojato Equatorial.
A Eletromagnetometria
detecta em regiões de clima semi-árido ou frio depósitos situados até 300-400m de
profundidade. Na Amazônia, nas regiões de espesso manto de solo úmido, o seu alcance é
muitas vezes prejudicado.
Para os três
métodos impõem-se a geração ou adaptação de equipamentos capazes de operar
eficientemente nos trópicos úmidos, geração de filtros e softwares apropriados,
assim como estudos experimentais e estações de calibração dos diferentes equipamentos
em áreas modelos.
A tecnologia dos
satélites e dos sensores por eles transportados tem se difundido e evoluído numa
velocidade fantástica, e a exploração mineral muito tem se beneficiado desta
evolução. A sensibilidade e o poder de resolução dos sensores cresceram de tal forma
que hoje é possível, com satélites comerciais, indivisualizar objetos de até 1m2 e,
em breve, de centímetros. Por sua capacidade de operar à noite, atravessar as nuvens e
mesmo penetrar parcialmente na floresta, os Sistemas de Radares Orbitais, em lançamento,
são mais adequados para a Amazônia.
Atualmente há uma
disponibilidade comercial de dados de radar de abertura sintética (ERS-1 e ERS-2, JERS-1,
RADARSAT-1) no formato digital com novas características (freqüência, polarização,
resolução, geometria de observação esterescópica, etc.).
A cultura na
extração de informações geológicas com este tipo de dado no país é ainda muito
incipiente. Em especial para a Região Amazônica há que testar-se suas possibilidades e
estabelecer-se padrões em áreas chaves.
Na região
Amazônica, onde o Sensoriamento Remoto tem limitações em sua aplicação. A
integração de dados de sensores orbitais com dados aerogeofísicos através do
geoprocessamento permite, porém, melhores resultados.
Na floresta densa a
cobertura vegetal dificulta a ação mesmo dos sensores mais modernos, inibindo a análise
direta do solo e impossibilitando a diferenciação dos tipos de rochas. A cobertura
vegetal, porém, reflete em parte a composição do solo e das rochas sobre as quais
cresce. É por esta razão que a abordagem geobotânica, ainda pouco desenvolvida,
ganha importância na Amazônia, visto que os novos sensores permitirão diferenciar tipos
de vegetação. As pesquisas sobre aplicações dos Sensores Remotos no Brasil devem,
pois, incluir essa temática e o estabelecimento de padrões com integração dos
diferentes sensores e destes com dados aerogeofísicos, sobre janelas estratégicas.
A geofísica
profunda (da crosta sólida) permite detectar as grandes descontinuidades existentes
no interior e nas bordas dos cratons mais antigos, locais mais prováveis de existência
de depósitos minerais de porte. O conhecimento destas estruturas profundas permite às
empresas que atuam na prospecção de Diamante e de Metais Base selecionar as faixas de
maior probabilidade e concentrar nelas suas atividades de prospecção mineral.
O Brasil talvez
seja o país de porte com menor conhecimento sobre a estrutura profunda de seus
cratons, em particular do Craton Amazônico, estando dezenas de anos atrasado nesta área
de conhecimento relativamente aos USA, Canadá, Austrália, África do Sul, Rússia e
muitos outros países de menor porte.
Os estudos de
geofísica profunda são em geral realizados por Sísmica Profunda, Sismologia,
Magnetoteluremetria ou Gravimetria. A Sísmica Profunda é de alto custo. Os outros três
métodos são, porém, de custo acessível e dominados pela comunidade científica
nacional. Por esta razão, propõe-se a realização, inicialmente, de três transversais
cortando o Craton Amazônico, com o emprego da Sismologia, Gravimetria (terrestre e
aérea) e Magnetoteluremetria, ao longo das quais serão definidos perfis estruturais
profundos. A Aeromagnetometria permite também interpretações sobre a estrutura da
crosta.
A Prospecção
Geoquímica em regiões com espesso manto de intemperismo, como é o caso da
Amazônia, exige metodologia especial, vez que oferece muitas dificuldades técnicas. Como
usada com sucesso na Austrália, a moderna estratégia da prospecção geoquímica em
terrenos lateríticos inicia-se com o conhecimento adequado da evolução da paisagem e de
sua influência nos padrões e teores de distribuição dos elementos nos diferentes
sub-níveis do perfil laterítico nas várias unidades de formas de relevo. Neste
contexto, são necessários estudos para o entendimento da relação paisagem-regolito, da
evolução do intemperismo e dos processos de dispersão secundária. Esses elementos são
indispensáveis e permitirão posteriormente definir uma metodologia de geoquímica
exploratória apropriada para a região. Esta permitirá às empresas conceberem e
executarem mais adequadamente os programas de amostragem geoquímica.
Todas as pesquisas
específicas discutidas a caráter de exemplo, somadas a estudos geológicos realizados
sobre janelas/depósitos estratégicos, permitirão estabelecer padrões calibrados sobre
distritos mineiros, que possibilitarão às empresas varrer sistematicamente extensos
ambientes geológicos similares e neles detectar sítios análogos de elevado potencial.
Os estudos de Geotectônica
e Metalogenia, ao identificar e caracterizar os ambientes geológicos maiores,
permitem a definição espacial e temporal das áreas com maior potencial para a
exploração mineral, que se constituem, em geral, em menos de 10% do território de uma
determinada região. No Brasil não amazônico os principais ambientes
geológico-metalogenéticos de elevado potencial, nos quais se concentram mais de 90% dos
depósitos minerais, já foram identificados, permitindo desta forma às empresas de
exploração mineral neles concentrarem suas atividades de prospecção mineral de
detalhe. Dentre muitos outros, são exemplos destes ambientes os greenstone belts
(Quadrilátero Ferrífero, Itapecuru, Crixás, etc.), os maciços alcalinos (Tapira,
Araxá, Poços de Caldas, etc.) os maciços acamadados (Niquelândia, Canabrava, Caraíba)
onde se concentram os maiores depósitos de Au, Ni, Cu, Nb, T.R. do país.
Na Amazônia,
porém, o grau de conhecimento geológico é de tal forma incipiente que poucos destes
ambientes foram identificados e bem caracterizados até o momento, necessitando-se para
tanto de estudos geocronológicos e geotectônicos enfocados para caracterização
metalogenética.
V - Metodologia
Estratégia
de Organização da Plataforma
A organização da
Plataforma EXMIN/AMAZÔNIA seguirá a estratégia usual de identificação e definição
de projetos da ADIMB, porém ampliada significativamente face à inclusão, além das
empresas associadas à Agência, de universidades, institutos de pesquisa e orgãos do
governo com atuação no setor mineral. Isto porque o desafio da Amazônia exige um
processo sinergético envolvendo os três segmentos e todo o país.
A gestão
administrativa e financeira da Plataforma será da ADIMB, e a coordenação geral de seu
Secretário Executivo Onildo João Marini.
O Comitê de
Co-gestão (Conselho Superior), constituído por representantes das
presidências/diretorias das empresas que aderiram à Plataforma, por autoridades
governamentais federais e estaduais da Amazônia e por presidentes de sociedades
científicas, traçará a orientação geral para ação dos comitês temáticos.
Os sete comitês
técnicos, compostos por especialistas dos três segmentos, definirão o estado-da-arte e
identificarão e proporão ações de P&D e RH que se fazem necessárias, em suas
sub-áreas específicas, para atingir os objetivos gerais da Plataforma. Identificarão
também os centros de excelência e seus principais pesquisadores no país e no exterior
em universidades, institutos de pesquisa e empresas de prestação de serviços, que devem
ser mobilizados para a execução de possíveis projetos cooperativos prioritários, bem
como as facilidades e integrações possíveis com as empresas e órgãos públicos. O
grupo de redação de cada comitê técnico será responsável pela elaboração de um
relatório sucinto com sugestões ao Comitê de Co-gestão. A Coordenação Geral se fará
presente em todas as reuniões dos comitês temáticos, afim de repassar-lhes orientação
geral provinda do Comitê de Co-gestão e de permitir um melhor entrosamento entre os
diferentes colegiados. Cada comitê se reunirá por três dias consecutivos para trabalhar
em pauta pré-estabelecida.
Pauta dos
Comitês Técnicos - Embora possam diferir em detalhes, as pautas de cada comitê
temático abordarão, no mínimo, as seguintes questões:
I - Diagnóstico
Técnico-Científico
- Análise crítica da sub-área de
conhecimento no Brasil, aplicável na Amazônia, comparativamente a outros países
mineiros (Canadá, África do Sul, Austrália, em especial);
- Identificação dos principais
centros de pesquisa do país e exterior na sub-área, suas capacitações, equipamentos e
projetos principais em andamento na região amazônica, e possíveis colaborações;
- Identificação de centros de
pesquisa/excelência do país/exterior em cada sub-área, suas capacitações,
equipamentos e projetos em andamento.
- Identificação de deficiências de
equipamentos, métodos e softwares existentes ao que tange a Amazônia e
necessidades de adaptação.
II - Propostas para
a sub-área
- Proposição de programa induzido de
formação clássica e continuada de pessoal para a sub-área;
- Sugestão de estudos e levantamentos
básicos prioritários e das necessidades básicas para viabilizá-los;
- Seleção de áreas e perfis a serem
estudados;
- Sugestões para integração dos
comitês temáticos;
- Proposição de política para
geração e assimilação/adaptação de metodologias específicas para a Amazônia.
III - Viabilidade
Técnica-Econômica
1. Sugestões de
parcerias e possíveis fontes de recursos.
2. Esboço de
quantificação financeira.
IV - Priorização
e Recomendações
1. Sequência de
enfoques e ações prioritárias.
2. Recomendações
outras que forem julgadas necessárias.
O Comitê de
Integração, constituído pelos relatores dos comitês temáticos, acrescido por
representantes institucionais, ficará encarregado de correlacionar e integrar a ação
dos comitês temáticos, bem como de elaborar o Relatório Síntese Final e submetê-lo à
consideração do Conselho Superior (Comitê de Co-gestão).
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