A anarquia é próxima


Giordano Maçaranduba

Desde o pseudofim da história é discutido o posicionamento pseudovirtual da democracia burguesa perpetuada pelos novos meios. Cabe a nós questionar a representatividade proposta por essa democracia, que muitas vezes perpassa o irreal. A democracia burguesa parece virtualizada.

Um fato que historicamente é novo, pois nos períodos anteriores, o despotismo era real, a democracia grega era real para todos os cidadãos atenienses. Parece que essa maquiagem é nova. Em nenhum outro período da historia,  despotismo foi chamado de democracia ou democracia de despotismo como na Idade Contemporânea.

Os novos meios apresentam a possibilidade de uma maior interatividade entre os cidadãos e o Estado, entre os eleitores e seus representantes, no entanto o que se tem visto é cada vez mais o distanciamento político entre as ações dos representantes e os interesses de sua base de sustentação.

Isso se torna mais perigoso ainda se considerarmos o fim do estado-social e a queda de uma das potências da guerra fria, que por tabela torna impossíveis novas concessões sociais. No momento temos uma ascensão de uma esquerda excessivamente moderada, muito suspeita, e que se sujeita aos ditames do capital internacional volátil.

É mais do que certo que até agora nenhum dos regimes implantados no mundo foram satisfatórios. No entanto várias experiências revelaram tonalidades positivas. Cabe aos homens aproveitar a sua experiência, para não incorrer em seus erros passados.

Ninguém, em nenhum momento, poderá afirmar que não há uma evolução social bem clara no mundo a despeito de uma involução política notável. Apesar deste problema democrático praticamente insolúvel, pois seria necessária uma reviravolta do próprio sistema que já estabeleceu seu paradigma e, portanto, suas metas, a grande mobilização social que parece estar pronta a explodir a qualquer momento a partir da segunda metade do próximo século, tem tudo para inverter o paradigma ou pelo menos dar uma maior autonomia aos cidadãos, de modo que a anarquia ou autonomia social será um valor muito forte nesses próximos séculos, com certeza.

E no momento em que os cidadãos conquistarem a autonomia, todos esses problemas estruturais que nos afetam neste momento e subserviência de países e mercados a outros serão aniquilados pelo principio da autodeterminação.

Giordano Maçaranduba é jornalista formado pela UFG.

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