Utopia adolescente
Renato Alves
Passados três meses em que entrei nesta Universidade, sinto a
necessidade de externar meus pensamentos acerca da condição
dos alunos e professores desta instituição “pública
e gratuita” de ensino superior. Apresentarei tais pensamentos de maneira
breve, de acordo com o escopo deste jornal e com a brevidade que necessariamente
deve ser observada.
Olhando para os prédios da UFG, vem-me à mente alguns
acontecimentos de suma importância histórica, acontecimentos
estes determinantes da atual configuração apresentada por
UFs, enquanto fontes do saber e conhecer humanos, acessíveis à
sociedade. E considero válido lembrar aqueles que desempenharam
como ninguém o seu papel de estudantes dentro do quadro histórico
brasileiro: a geração anos 60.
Enfrentando o período negro da ditadura das fardas, esses estudantes
empregaram os mesmos expedientes, trabalhando, dentre outras coisas, para
o mesmo fim: manter eretos os prédios de nossas Universidades.
Mas o que tem a ver aquela geração com a do Brasil pós-ditadura?
Dentro do mundo universitário, tudo. É graças às
conquistas desses jovens que estamos, hoje, tendo acesso ao vasto mundo
do conhecimento. No campo das idéias, nada!!! Existe uma disparidade
ideológica gritante entre ambas as partes. Nota-se, sim, em nossas
salas de aula, a indiferença que os marasmáticos universitários
trazem consigo. Indiferença apresentada, inclusive, pelo corpo docente.
É duro constatar que o espírito de descontentamento e
desafeição, inerente à nossa condição
de universitários, não mais existe. Professores e alunos
estão unidos nesta inércia, sendo aqueles, a princípio,
os principais responsáveis, já que são detentores
da função de formadores de opinião.
Saudosos são os tempos em que célebres professores, cujos
nomes prefiro não trazer a público, estavam a frente de movimentos
populares que agiam no sentido de subverter a ordem estabelecida, protagonizando
fatos de significativa repercussão nacional, redirecionando caminhos
da nossa sociedade Onde estão? De cabeça baixa, fazendo o
papel de cordeirinhos de presépio, diante do neo-liberalismo-efeagacista
ou sentados em suas confortáveis cadeiras ocupando cargos na chamada
instância de definições de caminhos?
É realmente frustrante me sentir sozinho nessa peleja. Num ambiente
fecundo, onde, no passado não muito distante, surgiram as mais revolucionárias
idéias, o que restam são meros espectadores da nossa História.
Espectadores que esta História tratará de colocar nas notas
de rodapé de seus livros, já que o espaço reservado
para os relatos de conquistas obtidas à custa de sangue, não
se divide com indivíduos que nem sequer estão fazendo parte
da História.
Renato Alves é estudante do 1º ano
de jornalismo da UFG.
Mande um e-mail para a direção
do jornal.
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