Cuide do que é seu
Pablo Kossa
Ano 2000. Eleições municipais à vista. Sempre quando
estamos em ano par, toda e qualquer ação governamental é
vista com certa, e bastante justificável, desconfiança. Centro
de Convenções, Plano Real... São infindáveis
os exemplos de projetos e realizações que têm como
intuito consagrar alguém no famigerado 1º de outubro.
Em Goiânia não é diferente. Neste ano não
deverão faltar inaugurações com a presença
certa do candidato apoiado pela situação. Sorrisos, alegria
e população satisfeita nos serão mostrados nas fotos
dos jornais.
Entretanto, devemos nos lembrar de que, mesmo que tenham uma intenção
oculta, vários projetos eleitoreiros acabam beneficiando a população.
A rearborização do Centro de Goiânia e em particular
do Setor Aeroporto, onde resido, são extremamente válidas
e positivas e, por ser senso comum, todas as vantagens de se viver em uma
cidade onde haja uma grande concentração de verde (controle
térmico, diminuição da poluição sonora
etc), não aprofundarei nisso.
Eu fui um crítico ferrenho da prefeitura quando começaram
a derrubar várias árvores em nossa capital no final do ano
passado. Lindos flamboyants foram impetuosamente podados ao toco e me emocionaram
bastante as cenas das moto-serras cortando-os, com flores vermelhas caindo
sobre os funcionários da Comurg e era um pouco lisérgico
ver o contraste das cores dos uniformes com as belas flores despencando.
Várias outras espécies também foram serradas com a
justificativa de que estavam velhas demais e tinham risco de cair, o que
não contesto por achar que é verdade. Quem não se
lembra de várias árvores tombadas pelas fortes chuvas?
A administração agiu certo novamente ao começar
a rearborização quebrando as calçadas, criando espaço
onde não existiam árvores, adubando o local, colocando grades
de proteção e, finalmente, plantando as mudas.
Aí vem o grande problema: a população goianiense
está destruindo todas as pequenas árvores. Acho que ainda
não existe uma consciência plena da melhoria da qualidade
de vida proporcionada pelo alto número de plantas. Na Avenida Independência,
quase todas as mudas foram destruídas e arrancadas por motivos por
mim não entendidos.
É muito complicado e doloroso ver que várias árvores,
talvez seculares, tenham sido sacrificadas para dar chance a uma nova geração
que está sendo acabada por quem deveria estar satisfeito e cuidando
do seu patrimônio. Isso é demais para mim! Deixem-nas crescerem,
depois podem chutá-las à vontade, ao menos assim elas resistirão
e a “luta” não será covarde como está sendo agora.
Pablo Kossa é estudante
do 2º ano de jornalismo da UFG.
Mande um e-mail para a direção
do jornal.
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