A verdadeira ignorância


Leandro Quintanilha Santana

O que é pior: não saber qual é a capital da Suíça ou jogar lixo na rua? O que vale mais: saber conjugar o verbo "intervir" ou ser leal com os amigos? O que você escolheria: ter boa memória ou saber respeitar a opinião alheia?  A princípio essas comparações podem parecer esdrúxulas, mas a verdade é que são bem adequadas aos padrões da nossa sociedade. Valoriza-se muito conhecimentos gerais e qualificação profissional em detrimento de quesitos como caráter e noções de cidadania. Mas o que realmente deveria ser a nossa prioridade?

Quem nunca ouviu falar da importância da leitura? Esse é talvez o maior lugar-comum da sociedade ocidental comtemporânea. Essa obsessão pelo acúmulo de informações consegue unir os mais diferentes segmentos sociais. Esquerdistas e direitistas compartilham desse grande clichê. Puro alarmismo. Às vezes, uma boa conversa com amigos pode nos levar a questionamentos filosóficos muito mais profundos do que a leitura de um livro com quatrocentas páginas de estudos sobre teorias de Platão. Pobres daqueles que procuram apenas nos livros as respostas para suas dúvidas existenciais.

Esse raciocínio de que é preciso saber e entender tudo nada mais é do que fruto da mentalidade capitalista de mercado. Somente os indivíduos ditos capacitados conseguiriam uma boa colocação no mercado de trabalho. E é nesse ponto que conhecimento se confunde com alienação. No fundo, a idéia é a seguinte: "saiba quase tudo, apenas não tome consciência do quanto é explorado e do quanto a estrutura social é injusta com você".

Uma pessoa pode ser extremamente sábia e não dominar nenhuma língua estrangeira. Pode-se ser muito inteligente sem se ter lido "O Guarani" ou, ainda, ser muito sensato mesmo não tendo decorado nomes e datas de fatos históricos. A vida é muito mais do que a Informática e seus Windows, Word e Excel. Ela tem muito mais elementos do que a Tabela Periódica. E não saber disso é muito pior do que escrever "exceção" com "ss".

Leandro Quintanilha Santana é estudante do 3o. ano de jornalimo da UFG.

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