O marxismo como fé revelada de cunho universal
Guilherme Ayres
- O marxismo não é de longe, uma ideologia. O marxismo, como deixou explícito o grande Roberto Campos é, sim, uma fé revelada de cunho universal, como o budismo, o cristianismo e o islamismo.
- Como no budismo, o profeta do marxismo não deixa claro que força superior o inspirou, o que Maomé e Cristo deixaram claro. Por isso é uma fé revelada ao profeta, ainda que este não nos diga o que o inspirou. É universal pois busca converter o mundo e usa da violência para isto. Como Maomé, Marx incitou seus seguidores à violência (revolução, apropriação...). Embora também não tenha faltado ao budismo e ao cristianismo a violência, nem Cristo nem Sidharta Gautama deram o mau exemplo, cabendo às deformações praticadas por seus seguidores os males gerados pelas respectivas doutrinas.
- Como seus três pares, o marxismo se apóia em dogmas inconstestáveis, textos sagrados ditados pelo profeta ou em seus ditos e vida baseados. Esses dogmas, na fase inicial da religião, exercem um fascínio que inevitavelmente leva ao êxtase. Vide a postura dos marxistas do séc. XIX e seus pares no Terceiro Mundo do século XX . A partir daí, o êxtase arrefece e surgem as tentativas de adaptar, renovar a fé: surge o marxismo-leninismo, maoísmo, ordem franciscana, seita dos assassinos, ordem mística dos sufis...
- Falha o marxismo ao negar totalmente a religião, pois assim faltou o conforto espiritual aos seus súditos. A essa falha o cristianismo respondeu criando o monasticismo, o islamismo respondeu com o misticismo que renovou o Sunnah na época em que o Estado Unitário Islâmico (não seria esse estado o sonho marxista?) se desagregava. Isso certamente ajudou a abreviar a existência do "Mundo Marxista", tanto em sua existência efetiva no plano político-econômico (1917-1989), como no plano intelectual de discussão (1848 - até hoje, pasmem, embora não nos países que realmente decidem os destinos do mundo). A China é um caso atípico, mas ressalve-se o dito de Deng Xiao-Ping, que evitou que a China virasse uma macro-Coréia do Norte - destino imposto pelos delírios do grande timoneiro e da corja dita intelectualizada que o cercava - "A riqueza é gloriosa". Nada da fé socializadora da miséria de Marx e Engels.
- Por fim, os marxistas, que geralmente só adotaram "a fé" por razões prosaicas como inveja e orgulho tolo (o adolescente marxista é tipicamente aquele cujos pais têm renda baixa e, assim, criam uma inveja doentia plenamente atendida pela vulgata marxista - compare-se com os intocáveis da Índia, que a partir da entrada definitiva dos muçulmanos se converteram maciçamente à nova fé, que vingava-os das frustrações impostas pelo sistema de castas hindu - ou com os pastores evangélicos canalizando para a "caixinha" a frustração das camadas menos favorecidas da população)
- E os marxistas insistem em não ver que nenhum país industrializado do mundo se tornou marxista, apenas semi-industrializados ou rurais o fizeram. Na verdade, além disso, que prova que Marx não deve ser praticado, apenas estudado. Ele fez pensar, e só. O fracasso retumbante de suas previsões corrobora com isso. Na verdade, as premissas para uma revolução socialista são, a saber, um longo governo tirânico com tendências a fracassos econômicos e extremamente reacionário, tendo sua sobrevivência baseada na manutenção do status quo (Czarismo, ditadura de Batista, regime colonial francês na Indochina, governo do Kuomintang...). Mas não é só: é necessário um cataclisma de origem externa, interna, ou ambos (1ª guerra mundial, ocupação japonesa...).
- Perdoem minha ignorância acerca dos príncipios budistas ou da Cuba pré-revolucionária. Eu também já quis ler "O Capital", mas como tenho 17 anos sei que no meu futuro ele será uma coisa exótica como o Livro dos Mortos do Egito faraônico. É um livro grande e eu não vou perder mais tempo do que já perdi digitando isso aqui com uma ideologia-religião em avançado estágio de decomposição.Pela mesma razão temporal não vou enumerar as virtudes do capitalismo.
Guilherme Ayres é estudante do 2o. ano do 2o. grau de Goiânia (GO).
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