O mais antigo dos preconceitos
Leandro Quintanilha
- A prostituição sempre foi condenada pela Igreja, mas sempre foi mantida pela sociedade. No século 19, com a conversão da maioria das monarquias ocidentais em monarquias constitucionalistas e repúblicas, houve a separação entre Estado e Igreja. Em muitos países, isso possibilitou ganhos importantes para os cidadãos, como sigilo do voto e liberdade de expressão e de culto. Mas, infelizmente, a questão da prostituição continua ainda carregando os estigmas de "pecado" e "perversão" que a religião católica lhe atribuiu. O Estado e a sociedade são coniventes com essa situação. Pura hipocrisia.
- Por que não regulamentar essa profissão? Por que não garantir aos homens e mulheres que trabalham com sexo os mesmos direitos dos demais cidadãos? Eles também deveriam ter direito à previdência social, seguro de saúde e, principalmente, direito à fiscalização da Delegacia do Trabalho nas empresas das quais são funcionários. A sociedade os marginaliza, mas a prostituição só existe porque há um amplo mercado para o produto do seu trabalho, o prazer sexual.
- Muitos argumentam que só entra na prostituição quem não tem outra alternativa. Ingenuidade. Essa idéia é generalizante, pois parte do pressuposto equivocado de que as pessoas só devem fazer sexo por amor. Talvez algumas só façam assim, mas isso não é uma regra universal. O sexo pode representar, para algumas pessoas, apenas satisfação física ou, mesmo, somente uma forma lucrativa de se ganhar a vida.
- Na verdade, o sexo pode ter um significado diferente para cada pessoa ou, ainda, um significado específico para cada momento. E, para aqueles que conseguem separar relação sexual de envolvimento emocional, a prostituição poderia ser, sim, uma ótima opção profissional. Isso, se a sociedade não fosse tão intolerante com a categoria.
- Há, ainda, os que dizem que esta é uma profissão muito penosa e desgastante. Talvez seja, mas quantas outras não são? Se esse motivo fosse suficiente para condenar profissões, o que seria do Jornalismo e da Medicina? E não pára aí. As cidades ficariam inabitáveis sem limpeza urbana, mas tão certo quanto isso é o fato de que a profissão de lixeiro não é lá muito gratificante. Isso, sem mencionar os encanadores...
- Só com a regulamentação da prostituição será possível evitar crimes como a exploração sexual de crianças. A lei só poderá tratar dignamente da questão e proteger os menores de idade, se deixar a hipocrisia de lado, estabelecendo limites para o exercício da profissão. Fingir que não existe é ser conivente com os abusos. Ignorar a existência de garotos e garotas de programa não traz benefício algum para a sociedade e, ainda, reduz o debate sobre sexo ao tradicional clichê amor-casamento-procriação.
Leandro Quintanilha é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Leandro Quintanilha ou para a direção do jornal.
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