Cotidiano

Liliane Gonçalves Bello

"Penso no muito que tenho, no pouco que sei, no quanto devo aprender.
Penso no poder dos ricos, na submissão dos pobres, na sabedoria da repartição e na ignorância da ambição.
Penso na multidão de pessoas, no isolamento da solidão, na tristeza do abandono.
Penso na alegria da vida, no desperdício do tempo, no prazer do amor;
No azul do céu, na vermelha paixão, no infinito plural multicolorido do mundo.
Penso na viagem passada, no sonho idealizado, no paraíso real.
Penso nas viagens perdidas por jovens estúpidos ou por amantes ilimitados...
Penso na ideologia da paz, na guerra que transcende qualquer esperança;
Na bomba que destrói todo e qualquer sonho;
No grande cogumelo atômico, imenso meteorito venenoso;
Na feia fumaça escura e intensa emanada diariamente.
Penso na destruição dos ideais, na repugnância ao fracasso e na conformação com ele.
Penso em tudo o que se foi e em todos os dias que estão por vir...
Penso na separação da morte e na segregação da vida.
Penso na felicidade passada, e nos problemas superados.
Penso, enfim, no que se pode chamar de cotidiano,
Com todos os seus infinitos componentes,
Com todas as suas ricas misérias,
Com todos os seus pobres milionários e sua falsa glória.
Penso no desapego da humanidade e na hipocrisia e vazio de sua alma.
Penso na quantidade de opções;
Penso no poder de livre arbítrio e da opinião própria;
Penso na liberdade de escolha e
Ainda assim me sinto perdida."

Liliane Gonçalves Bello é estudante do 1o. ano de jornalismo da UFG.

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