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Claudio Haruo Yamamoto

A cena se repete: vejo-me saindo de uma sala escura, juntamente com outras tantas pessoas que nessa sala assistiam a um filme. É interessante observar as reações das pessoas ao deixar o recinto. Algumas, com expressão de dor, outras, de alegria, outras, apenas de sono. Podem ser fantásticas as sensações que expressamos quando saímos desse estado de, digamos, transe (Obs.: deixarei aos filósofos ou aspirantes à profissão divagarem sobre isso). Mas isso parece ser coisa do passado. Nota-se uma explosão de produções de média-baixa/baixa qualidade que deprava a arte da cinematografia. É com pesar que venho notificar a decadência do cinema americano como cultura.

É interessante observar os três elementos do tripé sobre os quais os filmes de agora se estruturam: o dinheiro, o dinheiro e... a preocupação de ter uma boa audiência para ter um bom faturamento. Não podemos deixar de ressaltar que o dinheiro é um fator importante como retorno de um trabalho, mas ultimamente os produtores perceberam que nem sempre é necessário um bom trabalho para arrecadar muito dinheiro. Os exemplo são mais que evidentes. Eis algumas das receitas para se construir um bom filme (leia-se: um filme rentável).

O primeiro tipo característico de filme que faz sucesso é aquele que reúne um grupo de adolescentes em plena época de descobertas em um ambiente escolar (há muitos, como posso enumerá-los?). Pois bem, arma-se uma aposta entre eles e pronto. Está feito o roteiro do filme. Basta agora uma pitada de beijos na boca e, quem sabe, uma cena de sexo bem sutil porque, afinal, se ficar muito evidente, o filme não passa pela crítica e o filme é censurado entre os adolescentes e, por conseguinte, não terá o faturamento desejado.

Vejamos, uma segunda categoria de filme expressivo em termos de cifrões é aquela que reúne um casal de jovens (para variar) em um ambiente bem romântico de preferência onde o par principal se encontra durante o filme inteiro se enroscando, tentando salvar um ao outro, seja de uma nave espacial, seja de um navio prestes a afundar (sem comentários). Novamente, sem cenas de sexo muito picantes por razões pelas quais eu já citei.

Por fim, tem-se as grandes produções, geralmente aquelas que reúnem muita ação, muito dinheiro (cifras com mais de oito zeros) e pouco roteiro. Em geral, abusam dos efeitos especiais e dos lugares comuns. É evidente que há aqueles que se identificam com os personagens, seja porque os vêem como ídolos, os salvadores da raça humana contra aracnídeos ou outros seres provenientes de galáxias longínquas.

Parece ser difícil de acreditar, mas produções menores que de outros tempos como "Desconstruindo Harry", "Jackie Brown", "À Primeira Vista", dentre outros possam ser vistos como grandes crias dos diretores. São realmente filmes acima da média, mas acima de tudo, têm seu valor pela falta de talento de outros produtores.

Claudio Haruo Yamamoto é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.

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