Não me atrai
Marcus de Bessa Silva
- Estranhei a pequena quantidade de carros quando cheguei à Facomb (Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG) no dia 26 de agosto. Foi então que me lembrei que aquele era o dia da "Marcha dos 100 mil sobre Brasília" e que este deveria ser o motivo de a faculdade estar às moscas (até o funcionário do xerox estava sem fazer nada). Senti pesar de não ir à capital federal e de não tomar uma atitude política concreta, minha consciência pesou e me senti um jovem alienado. Procurei uma desculpa para o meu comportamento passivo vergonhoso e não achei, assisti à aula e não voltei a pensar no assunto. Até que o professor Joãomar Carvalho, já no final da última aula, resolveu comentar o fato. Ele nos agradeceu por estarmos ali assistindo à sua aula e tomando assim uma atitude, segundo ele, mais política que os que haviam ido a passeata. Esse agradecimento me fez pensar de uma forma nova, a qual eu nunca havia pensado antes. Questionei-me: qual será o efeito dessas manifestações? Como elas ajudam de fato o país? Será que esforçar-se para ser um bom profissional e um bom aluno não ajuda mais? Isso tudo são questionamentos, não estou afirmando ou ironizando nada, pois sou muito jovem e estas idéias ainda estão sendo digeridas. Mas realmente não consigo entender o mecanismo dessas manifestações, de que forma elas contribuem para o desenvolvimento da nação. Talvez por causa da pressão sobre o governo. No entanto, depois da passeata não vi nenhuma concessão a favor dos pedidos da oposição. Não estou dizendo que as passeatas são inúteis, apenas quero compreendê-las e não as compreendo. Também não sou da direita e muito menos simpatizante de FHC, todavia a oposição não me atrai.
Marcus de Bessa Silva é estudante do 1o. ano de radialismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|